Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Aviação executiva dá primeiros sinais de recuperação

Frota nacional está estável, mas número de pousos e decolagens cresceu 2,74% no ano passado

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2019 | 05h00

Depois de três anos mergulhada em crise, a aviação executiva brasileira começa a respirar – ainda que com dificuldade. Executivos de empresas que chegaram a vender menos de cinco aeronaves nos piores anos de recessão afirmam que os seis primeiros meses de 2019 já foram melhores do que todo 2018. Fazem uma ressalva, porém: a base de comparação é baixa, pois o ano passado ainda foi fraco.

A Helibras, por exemplo, vendia de 25 a 30 helicópteros por ano antes de 2015. Em 2016, auge da crise brasileira, foram apenas dois. Segundo o presidente da subsidiária da Airbus, Jean-Luc Alfonsi, no primeiro semestre deste ano, a empresa vendeu quase o total de 2018, quando fechou contrato para dez helicópteros. “Começamos a ver sinais de recuperação. O mercado civil tem sido mais reativo, tem mas flexibilidade para comprar”, diz.

Nesses últimos anos, com a crise fiscal do País e o Orçamento engessado, o comércio de aeronaves para as forças armadas despencou, conta Alfonsi. No segmento civil, clientes tinham desaparecido com o aumento dos juros de financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“A taxa de juros do BNDES já foi de 3,5%, hoje está entre 10% e 12%”, acrescenta Alfonsi. O executivo destaca que, na França, há financiamentos que custam um quarto dos oferecidos hoje pelo BNDES.

Com o recuo nas vendas, a Helibras precisou readequar seu tamanho. O número de funcionários, que chegou a 850, hoje é de 500.

A Líder, umas das principais empresas do País de fretamento e comércio de aeronaves executivas, também mexeu no seu quadro de funcionários nos últimos anos, mas de forma ainda mais radical. Ao todo, 1,2 mil trabalhadores foram desligados; restaram 1 mil.

“Mas agora estamos confiantes (com a melhora do cenário), o que também não significa que o crescimento será rápido”, diz a diretora-superintendente, Júnia Hermon Corrêa.

Dez anos atrás, a empresa tinha uma média de 55 aeronaves vendidas por ano. Em 2019, a meta é fechar contrato para dez, o dobro de 2018. 

O principal segmento de atuação da Líder – o de aluguel de helicópteros para atender plataformas de petróleo –, no entanto, ainda sofre. A companhia tinha uma frota de 60 helicópteros para esse serviço. Após a crise da Petrobrás, reduziu para 39. “Acreditamos que não vamos ter de reduzir a frota ainda mais e tem a possibilidade de novas empresas (petroleiras) entrarem no setor em 2020 e 2021”, diz Júnia.

Na área de fretamento, a empresa espera crescer 25% neste ano. Em 2018, a Líder tinha expectativa de aumentar os fretes com a ajuda das campanhas eleitorais. A demanda, no entanto, não se comprovou. 

Também com forte atuação em fretamento, a Icon Aviation, de Michael Klein, vai no sentido oposto da Líder e prevê queda no faturamento com o serviço. No primeiro semestre do ano passado, transportou 2,6 mil pessoas. Neste ano, foram 1,9 mil. A empresa, entretanto, conseguirá um faturamento maior em 2019, porque já vendeu uma aeronave, o que puxa a receita bruta para cima. Em 2018, não havia conseguido fechar nenhum contrato de venda.

Substituição. Fabricante brasileira de jatos executivos, a Embraer divulgou na semana passada que vendeu 36 aviões nesse segmento no primeiro semestre de 2019. No mesmo período do ano passado, haviam sido 31. Os dados, entretanto, são globais. A companhia não divulga informações por país, mas o diretor de vendas de aviação executiva para a América Latina, Gustavo Teixeira, afirma que entre janeiro e junho foram vendidos no Brasil quase o dobro do mesmo período de 2018. 

“A recessão gerou uma demanda reprimida. Agora, o cenário é de um otimismo com cautela. Há poucos compradores novos no setor. A maioria é formada por clientes que estão substituindo uma aeronave usada por uma nova”, diz. 

Na Tam Aviação Executiva, também há um movimento de procura por modelos novos, segundo o presidente, Leonardo Fiuza. Puxadas pelos setores do agronegócios, da indústria farmacêutica e do varejo, as vendas da companhia chegaram a 40 aeronaves no ano passado – ante 60 antes da crise. O primeiro semestre de 2019 já foi melhor que o mesmo período de 2018. “Este ano está bem melhor. Não diria que é ‘o’ ano da recuperação, mas é um respiro”, diz Fiuza. 

Para o diretor executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Flavio Pires, o “pior da crise já passou”. Os pousos e decolagens de aviões executivos cresceram 2,74% no ano passado, mas a frota permanece estável desde 2014 – com 11,8 mil aeronaves. “Há pessoas voando mais e outras trocando seus aviões. Mas, como não há um aumento na frota, o setor como um todo, que inclui pilotos e manutenção, não se aquece.” 

 

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