Aviação executiva registra queda no número de voos

Economia mais fraca fez empresas usarem menos o serviço em 2013: setor, no entanto, registrou crescimento da frota e do total de destinos

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2014 | 02h03

Apesar de um aumento da frota e do número de destinos atendidos, o movimento de aeronaves executivas caiu no ano passado, um sinal de que o setor sentiu a desaceleração da economia. Dados divulgados ontem pela Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag) apontam que a frota cresceu 4,9%, somando 14.648 aeronaves, mas o número de voos nos 33 maiores aeroportos do setor diminuiu 3,7%, para 739,9 mil, no ano passado.

Os principais clientes da aviação executiva são empresas, que usam aviões e helicópteros particulares para voar a destinos hoje não atendidos pelas companhias aéreas e para ganhar agilidade no deslocamento de seus executivos. "A queda na movimentação é um indicador da desaceleração da economia. O (gasto com o) avião é o último item a chegar em um momento de expansão das empresas, mas é um dos primeiros a sair (do orçamento) em épocas de crise", disse o diretor geral da Abag, Ricardo Nogueira.

Os números do setor foram divulgados durante a solenidade de apresentação da feira Labace, o principal evento do País para a aviação executiva, que será realizada entre terça e quinta da semana que vem, em São Paulo. É na feira que as fabricantes apresentam os lançamentos aos clientes brasileiros e tentam iniciar as negociações.

A meta do setor é manter o resultado do ano passado, quando a venda de aeronaves novas e usadas somou US$ 1,66 bilhão. "O segundo semestre do ano tem se mostrado mais difícil para a economia em diversos setores. E a aviação não escapa desta tendência", disse o presidente da Abag, Eduardo Marson.

A Labace vai apresentar ao público 65 aeronaves, duas a menos do que no ano passado. Os aviões, no entanto, são maiores e ocuparão uma área maior na feira. A previsão dos organizadores do evento é que 14 mil pessoas visitem a Labace neste ano, mantendo o público do ano passado.

Capilaridade. Os voos fretados e particulares levaram os passageiros para 3,7 mil aeródromos (pistas de pouso) no Brasil em 2013, um número 2,78% maior do que no ano anterior. A maioria deles não é atendida pelas companhias aéreas, que voaram para apenas 126 cidades no ano passado.

"A aviação geral cumpre um papel de dar capilaridade ao transporte aéreo. O setor tem um peso relevante na economia e tem sido muito mal tratado pelas autoridades", disse Nogueira.

O segmento está insatisfeito com a política do governo de restringir o uso dos grandes aeroportos pelos jatos particulares, dando prioridade para as companhias aéreas. Segundo Nogueira, o setor foi "estrangulado" durante a operação especial para a Copa do Mundo.

Hoje a maior disputa do setor é para manter seu espaço no aeroporto de Congonhas, que deve ter sua capacidade alterada ainda este ano. Atualmente, a aviação executiva pode usar 4 dos 34 horários para pousos ou decolagens por hora no aeroporto. O governo pretende transferir esses espaços para viabilizar a entrada de novas empresas áreas no setor.

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