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Aviação só sobrevive com grandes alianças, diz Air France

A crise na aviação civil mundial, que se arrasta desde os atentados terroristas em 11 de setembro de 2001 e pode provocar perdas de US$ 10 bilhões este ano por causa da forte retração na demanda de passagens, está mostrando que, se não houver uma firme decisão de fortalecer as companhias por meio de alianças, será praticamente impossível a salvação de grande parte delas. A afirmação é do vice-presidente para as Américas da Air France, Jean-Louis Pinson."As companhias aéreas não vão sobreviver nem dez anos mais se não trocarem seu modelo de gestão e se não se unirem para formar grandes conglomerados, como os grandes impérios da Idade Antiga", disse o executivo, em almoço com jornalistas brasileiros na sede da companhia em Paris. Nenhum outro tema está sendo tão crucial para o futuro do setor como a necessidade de alianças, acrescentou o executivo da companhia francesa. Entenda-se por conglomerado o agrupamento de companhias em busca de maiores mercados e de economia de escala."Não há outra solução senão a de crescer com sócios. Não há outra solução senão a de se aliar a outras empresas de aviação", alertou o executivo. No caso da Air France, acrescentou, nunca antes foi tão necessária a privatização da companhia, embora hoje seja uma das poucas na Europa a dar lucro. "A companhia precisa e vai ser privatizada."Pinson informou que está praticamente tudo pronto para a venda de grande parte da participação do governo francês na Air France, onde controla atualmente 54% do capital. Os empregados, que somam hoje 70 mil em todo o mundo, têm 12% das ações da empresa. O resto se encontra pulverizado em bolsas. "Estamos esperando apenas um bom momento para isso, já que as ações da companhia não estão com muito bom preço por causa das crises que se arrastam desde setembro de 2001", disse o executivo. A idéia da governo francês é colocar no mercado 34% dos 54% do capital que está em suas mãos. "A Air France é a número 1 na Europa e, se quisermos sobreviver e construir um grande conglomerado, terá de ser privatizada. A maioria dos empregados, inclusive os pilotos, cuja categoria é a mais forte, está convencida de que, para manter essa liderança, é necessário isso", acrescentou Pinson. A Air France detém hoje 17,6% do mercado europeu, seguida da British Airways, com 17,4%, da Lufthansa, com 17%, e da KLM, com 10%.O executivo frisou, no entanto, que Air France não vai absorver ou comprar companhias, principalmente aquelas que não têm boa saúde financeira. "A Swissair, assim como a Panam décadas atrás, quebraram por isso, por adquirirem pequenas companhias. Não vamos fazer isso, não temos dinheiro. Queremos alianças, isso sim", explicou. MarcasEle esclareceu ainda que é necessário manter as marcas das companhias, principalmente pelo que representam para os clientes. "É bom levar em conta que somos (as companhias aéreas) empresas de serviços, não indústrias. Por isso, as marcas são importantes." Pinson disse ainda que não é mais possível imaginar um país contar com três ou quatro companhias aéreas."A Air France vê a Europa como um único país, como um único mercado, assim como as companhias norte-americanas vêem os Estados Unidos. Temos de inventar um novo modelo para um mercado comum", afirmou. Ele lembrou ainda que o desempenho da aviação civil está diretamente ligado ao das economias dos países. "Isso é tão primordial que precisa ser lembrado a toda hora."LucrosO executivo fez questão de lembrar que, no ano fiscal 2002/2003, a Air France foi uma das poucas companhias a obter lucro. "É o 6º ano consecutivo que estamos conseguindo fechar no azul", comemorou Pinson. De acordo com o balanço da companhia divulgado há duas semanas, o lucro da Air France foi de 120 milhões de euros (US$ 140 milhões). Indagado sobre qual teria sido o segredo para esses resultados, dada a crise pela qual passa o setor da aviação civil no mundo, o executivo mencionou três fatores, considerados por ele primordiais.Um deles, explicou Pinson, "é fazer com que o cliente tenha, em Paris, o maior número possível de conexões, e isso a Air France tem". Depois, acrescentou, o leque de opções que o cliente tem com o Skyteam (alianças com a Delta, Aeroméxico e Taca). Terceiro, a qualidade dos serviços da marca e, finalmente, a capacidade de manejar bem a receita da empresa."A idéia não é encher aviões. O que a Air France faz é dar prioridade aos homens de negócios, aqueles que pagam mais pelo conforto e serviços de boa qualidade", disse. Para isso, a companhia tem cinco tipos de tarifas e de classes. Pinson lembrou que a rapidez e versatilidade para trocar o tamanho das aeronaves sempre que necessário, dando, por exemplo, maior opção aos clientes, é outro aspecto de sucesso. "Se tivermos poucos passageiros, botamos uma aeronave menor. Se tivermos muita demanda pela primeira classe e classe executiva, colocamos outra com maior número possível desse tipo de assentos." Para ele, a indústria da aviação civil é tão sofisticada que só as companhias sofisticados e as mais profissionalizadas vão sobreviver. A Air France tem escritórios em 208 cidades, em 91 países e realiza mais de 1.7 mil vôos diários.ConcordeAs cinco aeronaves Concorde em poder da Air France serão aposentadas no dia 31 deste mês. Todas elas ficarão em alguns dos maiores museus do mundo. De acordo com o vice-presidente para as Américas da companhia, Jean-Louis Pinson, uma das aeronaves irá para o museu da aviação em Washington, considerado o maior do mundo. Outra irá para Stutgart, na Alemanha. Outros três Concordes ficarão na França (Tolusse, Le Burger e no aeroporto Charles de Gaulle).

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