Sergio Moraes/Reuters - 3/4/2019
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coluna

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Em crise e com impacto da pandemia, Avianca Holdings pede recuperação judicial

Segunda maior companhia aérea da América Latina, empresa havia tentado, sem sucesso, ajuda do governo da Colômbia

Agências internacionais, O Estado de S. Paulo

10 de maio de 2020 | 15h16

Em meio a uma crise que se estende há mais de um ano e com o impacto da paralisação das atividades econômicas em decorrência da pandemia da covid-19, a Avianca Holdings, a segunda maior companhia aérea da América Latina, entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) neste domingo, 10. A empresa havia tentado, sem sucesso, uma ajuda financeira do governo da Colômbia. Em processo nos Estados Unidos, a companhia estimou sua dívida entre US $ 1 bilhão e US $ 10 bilhões.

Neste domingo, US$ 65 milhões em dívidas da empresa venciam. Analistas consideravam que a companhia não teria condições de pagar o valor. Dias atrás, a agência classificadora de risco S&P rebaixou a nota da Avianca para CCC-, ou risco substancial de inadimplência. 

"A Avianca está enfrentando a crise mais desafiadora em seus cem anos de história", disse o presidente, Anko van der Werff, em comunicado à imprensa. Se não sair da recuperação judicial, a Avianca será uma das primeiras grandes operadoras do mundo a falir como resultado da crise do coronavírus, que resultou em um declínio de 90% nas viagens aéreas globais.

Uma das companhias aéreas mais antigas do mundo, a Avianca não realiza voos regulares de passageiros desde o fim de março. A maioria dos 20 mil funcionários já estava de férias não remunerada. Ainda em nota, a empresa informou que continua discutindo com governos a possibilidade de um apoio financeiro. 

A companhia já havia entrado em recuperação judicial no início dos anos 2000, quando foi resgatada pelo boliviano Germán Efromovich, que, ao lado de seu irmão, José, também era dono da Avianca Brasil. Sob o comando de Germán, a Avianca Holdings cresceu de forma agressiva e acumulou dívidas.

Em maio do ano passado, Germán foi afastado da empresa pela United Airlines, apesar de continuar sendo o maior acionista. Isso foi possível porque a United havia feito, em 2018, um empréstimo de US$ 450 milhões para Efromovich que tinha como garantia as ações dele na Avianca. Quando, no primeiro trimestre de 2019, a empresa deu prejuízo de US$ 67,9 milhões e suas ações desvalorizaram, a United ganhou o direito de voto dos papéis de Efromovich no conselho de administração e decidiu por afastá-lo. 

Após retirar Germán do comando, a United fez novos aportes na empresa para tentar salvá-la. Roberto Kriete, presidente do conselho da Avianca, já havia dito, no ano passado, em uma reunião com funcionários que a companhia aérea estava "quebrada". Se a Avianca falir, a  Untied poderá perder até US$ 700 milhões.

Também no ano passado, os irmãos Efromovich viram a Avianca Brasil entrar em crise. A companhia aérea, que não fazia parte da holding e pagava royalties para usar a marca aqui, havia tentado crescer de forma agressiva e se endividado rapidamente, o que a levou a pedir recuperação judicial. José e Germán Efomovich já estiveram à frente de outros negócios que ruíram no Brasil, como os estaleiros Mauá e Eisa. / REUTERS, COM LUCIANA DYNIEWICZ

 

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