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Aviso aos governantes

A reduzidíssima taxa de desocupação dos brasileiros anunciada pelo IBGE (5,7% em novembro) mascara o grave problema do baixo nível absoluto de produtividade do trabalho no Brasil. O País ocupa o 66º lugar do ranking mundial de produtividade do trabalho, medido em valor adicionado nominal por trabalhador e convertido à paridade de poder de compra da moeda local, conforme cálculos do The Japan Productivity Center. Nosso trabalhador do setor de manufatura, por exemplo, contribuiu com US$ 20 mil em valor adicionado em 2007. Em 2010 a média da OCDE foi de US$ 66 mil e a dos EUA, de US$ 102 mil.

PATRÍCIA MARRONE, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

Para piorar, enquanto todos os países tentam reduzir o custo do trabalho por unidade produzida, os acordos salariais firmados no País no 4.º trimestre resultaram em reajustes de 2% a 4,7% superiores à inflação, elevando o custo da mão de obra. Além disso, faltam profissionais qualificados e, na corrida pela competitividade global, a depreciação do dólar tem alavancado artificialmente o poder americano em relação a quase todas as economias. Tudo isso contribui para reduzir o coeficiente de produção por hora trabalhada no Brasil.

A baixa produtividade do trabalho compromete a sustentabilidade do nosso nível de emprego no médio prazo, ao contribuir para reduzir a atratividade do que se produz localmente. Ela também contribui para baixar a competitividade das nossas exportações, tornando a produção local e o próprio nível de emprego excessivamente dependentes da demanda interna. A produtividade do trabalho é medida a partir da relação entre o valor da produção e o tempo empregado nela. Assim, melhorias na produtividade dependem do comportamento relativo desses componentes.

O crescimento do País nesse ranking dependerá da eficácia da nossa política educacional - capaz de, ao qualificar a mão de obra, reduzir o tempo de produção - e das políticas tecnológica e industrial, contribuindo para o incremento do valor da produção nacional. Apesar do grande mérito do aprimoramento do arranjo institucional desenvolvido para guiar a política industrial, instituído pelo governo, em 2008, com a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), esta termina 2010 sem cumprir suas metas. O insucesso é atribuído à crise mundial e ao câmbio, mas um terceiro fator, pouco notado, foi decisivo: a falta de capilaridade da política industrial federal e sua incompatibilidade com ações definidas nas políticas de mesmo teor em muitos Estados.

Muitas PDPs estaduais acirram as tensões federativas geradas pela "guerra fiscal". Fundamentam-se em instrumentos tradicionais, como financiamento de parcelas e redução de alíquotas do ICMS e estímulos para realocar plantas industriais, com apoio à infraestrutura. A maior parte desses incentivos sucumbirá com a reforma tributária. Além disso, a sistemática de muitos deles favorece a implantação de projetos, sem contribuir com o avanço qualitativo dos empreendimentos já instalados.

Outras políticas industriais (casos de São Paulo, Minas Gerais e Paraná) adotam instrumentos da nova geração. Como as PDPs federais que enfatizam o aumento da densidade tecnológica dos empreendimentos, a contribuição para o adensamento da matriz de relações interindustriais e a redução das disparidades no Estado. Mas pouquíssimos Estados definem incentivos para a sustentabilidade ambiental e, ao mesmo tempo, articulam-se com as estratégias federais. Apenas duas PDPs estaduais foram desenvolvidas, em Minas Gerais e no Paraná, articuladas com a PDP federal.

A Rede Nacional de Política Industrial tentou "regionalizar a PDP", mas os resultados são insuficientes. Alertamos para a necessidade de maior coordenação de agendas das políticas de educação e desenvolvimento industrial e tecnológico entre os Estados e a Federação, com o objetivo de alinhar as ações, ampliar a sinergia e otimizar o resultado final, já que os efeitos do aumento da produtividade do trabalho e da competitividade das empresas terão de se fazer sentir em todo o território nacional.

ECONOMISTA, MESTRE PELA USP, É SÓCIA DA CONSULTORIA WEBSETORIAL E COORDENADORA DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DE OITO ENTIDADES DE CLASSE PATRONAIS

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