Axa pode comprar fatia do ING na SulAmérica

Grupo holandês tem uma participação de 36% na seguradora brasileira, e já confirmou que vai vender as ações

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

A seguradora francesa Axa é uma das mais cotadas para ficar com a fatia de 36% do grupo holandês ING na SulAmérica, segundo três fontes com conhecimento do assunto. Uma das fontes informou que altos executivos do grupo francês disseram em uma reunião em São Paulo, na semana passada, que o Brasil voltou ao radar da empresa e um anúncio será feito em breve. Outras seguradoras estrangeiras, como a MetLife e a Zurich, também teriam avaliado a operação, segundo os mesmos executivos.

O ING confirma, em nota enviada à Agência Estado de sua sede na Holanda, que sua fatia na SulAmérica vai ser vendida, mas diz que "não comenta rumores de mercado" sobre eventuais compradores. Procurada pela Agência Estado, a SulAmérica também não quis comentar o assunto.

O grupo holandês está se desfazendo de suas operações de seguro em todo mundo. A decisão não ocorreu por vontade do ING, mas foi imposta pela Comunidade Europeia como condição para aprovar a ajuda financeira do governo holandês ao grupo. O ING foi fortemente afetado pela crise financeira mundial e precisou de socorro estatal.

Na segunda-feira, o ING anunciou que vai vender seu negócio de previdência na América Latina para o conglomerado colombiano Grupo de Inversiones Suramericana, conhecido como GrupoSura, por 2,6 bilhões. Esse será o primeiro passo da seguradora holandesa para se desfazer da sua divisão de seguros globais.

No comunicado, o ING informa que a fatia de 36% que possui na SulAmérica será vendida separadamente. As operações no Brasil são as mais valiosas do grupo na região. A razão é que a SulAmérica é a maior seguradora independente (não ligada a banco) do País e é uma das principais competidoras nos dois principais segmentos que atua: saúde e veículos.

Tentativa. A Axa chegou a ter uma seguradora no Brasil, mas em 2003 a matriz na França decidiu encerrar as operações no mercado brasileiro. O grupo então vendeu sua unidade para a Porto Seguro, que a transformou na Azul Seguros, subsidiária especializada em vender apólices de carros a preços mais baixos que os da Porto.

A Axa tem relações tanto com o ING quanto com a SulAmérica, lembrou uma das fontes ouvidas pela Agência Estado. Em 2008, o grupo francês comprou as operações de seguro do ING no México. Em 2006, a seguradora brasileira passou a ser representante comercial no Brasil para a Axa na área de grandes riscos.

Uma fonte destaca que a família Larragoiti, fundadora da SulAmérica há 115 anos, tem direito de preferência na negociação com o ING. Por isso, outra possibilidade em jogo é que a família compre a fatia do grupo holandês e depois negocie a venda de parte de suas ações para outro sócio. A SulAmérica vale R$ 5,3 bilhões na Bolsa.

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