Azul e Trip investem na ampliação da frota

As companhias de aviação brasileiras se abastecem para atender o mercado e colocar em prática suas estratégias para os próximos anos. A Azul e a Trip partem para a compra de novas aeronaves, de acordo com anúncios na feira de Farnborough, nos arredores de Londres.

Daniela Milanese, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

A Azul decidiu ampliar a frota, até então formada apenas por aviões da Embraer, com a aquisição de 40 unidades da franco-italiana ATR, sendo 20 ofertas firmes e 20 opções, num negócio estimado em US$ 850 milhões que será oficializado hoje. Além disso, a empresa aproveitou uma sobra de produção da Embraer para levar mais cinco jatos do modelo 195, de 118 assentos, transação que soma US$ 200 milhões pelo preço de tabela.

A Trip faz o caminho inverso, em estratégias que começam a se esbarrar. A companhia é hoje a maior cliente da ATR na América Latina, com 30 unidades, e agora aumenta sua frota de jatos com a compra de dois Embraer 190, de 106 lugares, no valor de total de US$ 80 milhões. Essas aeronaves se juntam aos seis Embraer 175 já operados pela Trip.

Cidades secundárias. Ao comprar aviões menores, os ATR 72 de 70 lugares, o objetivo da Azul é atender cidades secundárias, hoje com pouco ou nenhum serviço à disposição. As aeronaves farão rotas de até 600 quilômetros, como ramificações a partir da malha já estruturada com os jatos da Embraer e centradas nos municípios maiores.

Até o fim do ano, a empresa pretende atender mais quatro cidades no País, além de Brasília, a partir do início de agosto, totalizando 26 municípios. O objetivo é transportar 4 milhões de passageiros em 2010, quase o dobro dos 2,2 milhões movimentados no primeiro ano de atuação. A empresa classifica a estratégia como "um passo além no modelo", agora com a intenção de operar de forma integrada serviços nacionais entre grandes centros e cidades de porte médio.

Além da Trip, a Pantanal, comprada pela TAM, também já opera com modelos da ATR - foi a primeira a adquirir aviões desse tipo no Brasil, em 1993.

As cinco unidades adicionais compradas da Embraer devem chegar nos próximos meses e assim a Azul encerrará o ano com frota de 26 aviões. "A Embraer estava passando por um período difícil, tinham aeronaves sobrando e perguntaram se nós queríamos", diz o fundador e presidente do conselho de administração da Azul, David Neeleman.

A informação foi confirmada pelo presidente da Embraer, Frederico Curado. Segundo ele, os cancelamentos de pedidos realizados em 2008 e 2009 deixaram alguns buracos na linha de produção. A negociação foi feita no início do ano e anunciada oficialmente somente agora. "O negócio com a Azul ajudou a manter a estabilidade da produção."

A expectativa é a de que a Embraer anuncie novos negócios da feira de Farnborough hoje, na área comercial.

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