Azul está na disputa pela TAP, diz ministro

Governo português afirma ter sido procurado pela aérea brasileira para participar do processo de privatização da companhia estatal

FERNANDO NAKAGAWA , ENVIADO ESPECIAL à Suíça, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2015 | 02h05

DAVOS - A companhia aérea Azul procurou o governo de Portugal interessada na privatização da TAP. A informação foi confirmada pelo ministro de Economia do país, António Pires de Lima. Durante o Fórum Econômico Mundial, Lima disse que "apesar da experiência com a Oi", Lisboa ainda tem interesse em atrair o capital brasileiro para a venda da aérea estatal.

Após o anúncio oficial do governo português de retomada do processo de privatização da TAP, Pires de Lima confirmou que a companhia de David Neeleman procurou representantes do governo com interesse na aérea TAP. Sobre outras companhias brasileiras, Pires disse que não houve contato da Latam, dona da TAM, e da Gol. A Azul disse que não comentaria o assunto.

Em meio aos problemas societários entre a Oi e Portugal Telecom, o ministro reconheceu que é interessante ter brasileiros na disputa pela TAP, mas não perdeu a oportunidade de demonstrar insatisfação com a parceria entre os dois países no setor de telecomunicações. "Mesmo com a experiência da Oi, temos interesse em ter uma empresa brasileira", disse.

Questionado sobre eventual problema jurídico - já que a União Europeia limita a participação estrangeira a 49% do capital das aéreas - Pires de Lima não demonstrou preocupação. Citou que, se um brasileiro ganhar o processo, poderia ser encontrado um acionista europeu para compor o novo grupo. Sobre a hipótese de uma saída no modelo Latam (que inclui a união de duas empresas, mas sem a perda da nacionalidade do controle das empresas que se associam), o ministro não demonstrou contrariedade.

Ele explicou que Lisboa olha com bons olhos para o capital do Brasil porque uma empresa nacional estaria mais propensa a manter o centro de distribuição de voos em Lisboa, no Aeroporto da Portela, para as rotas entre o Brasil e outros destinos na Europa. O governo local teme que se uma empresa europeia ficar com a TAP, Lisboa poderia perder importância como ponto de concentração de voos.

Além da Azul, outras empresas estariam na disputa pela TAP, como o grupo espanhol dono da Air Europa.

Em 2012, o governo português tentou pela primeira vez privatizar a TAP. A única proposta foi do grupo Synergy, controlador da Avianca. A oferta, porém, foi rejeitada e Lisboa informou que a companhia do empresário Gérman Efromovich não ofereceu garantias financeiras suficientes para a compra.

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