Azul negocia com Boeing e Airbus compra de aviões

Empresa quer usar avião maior para voo nacional, principalmente em rotas com mais de três horas de duração, diz Neeleman

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2014 | 02h05

A companhia aérea Azul está negociando com a fabricante europeia Airbus e com a americana Boeing a compra de cerca de 35 aviões para voos no Brasil, afirmou ao 'Estado' o fundador da empresa, David Neeleman. Entre os modelos avaliados estão o A320neo, da Airbus, e o 737-MAX 8, da Boeing, ambos com preços de tabela de cerca de US$ 105 milhões por unidade. Se confirmada, a compra representará um investimento de cerca de US$ 3,5 bilhões, considerando os valores de tabela das fabricantes.

A compra de aviões da Airbus ou da Boeing para voos nacionais adicionaria mais um modelo de aeronave à companhia aérea de Neeleman. A empresa começou a voar em 2008 com jatos da brasileira Embraer de 120 lugares - modelo diferente do usado por Gol e TAM, que utilizam aviões maiores e se concentram em rotas de alta demanda. Em 2010, a Azul surpreendeu o mercado ao comprar aviões menores do que os jatos da Embraer e incorporar os turboélices da francesa ATR à sua frota, que têm cerca de 70 assentos e são usados em voos regionais. Neste ano, a empresa comprou aviões A330, da Airbus, para voos internacionais.

Os aviões que a Azul está negociando são maiores do que os jatos da Embraer e podem ser configurados para até 190 lugares. Segundo Neeleman, a intenção da Azul é usar os aviões em voos com duração superior a três horas no Brasil. "Sentimos a necessidade de usar um avião maior para ficarmos mais competitivos nessas rotas", disse Neeleman.

Ele ressaltou que a companhia ainda não assinou nenhum contrato de compra das aeronaves e que o número de aviões não está fechado. No momento, a Azul está avaliando propostas das fabricantes.

Neeleman disse que a companhia aérea planeja ampliar também sua frota de aviões Embraer, principalmente, para atender à expansão dos voos regionais. "Vamos continuar comprando aviões da Embraer", ressaltou.

Ele lembrou que, em julho, a Azul anunciou a compra de até 50 jatos do modelo E195-E2 da Embraer. O contrato prevê 30 pedidos firmes e 20 opções e tem valor estimado em US$ 3,1 bilhões, considerando o preço de tabela da aeronave. O E195-E2 faz parte da segunda geração de jatos da Embraer, que está em desenvolvimento e tem entrega prevista para 2018.

Novos aviões. Os modelos em negociação pela Azul são aeronaves novas da Airbus e da Boeing, que ainda não estrearam em voos comerciais. A Airbus prevê que o A320neo entre em operação no último trimestre de 2015. Já a Boeing estima que o 737 MAX começará a ser entregue aos clientes em 2017.

A Azul já comprou neste ano aeronaves da Airbus para os seus voos internacionais, que serão iniciados em dezembro. A operação internacional da empresa começará a ser feita com sete aviões usados do modelo A330, com cerca de 270 lugares. Os aviões terão o interior trocado - o investimento é de US$ 6 milhões por aeronave.

A empresa encomendou neste ano cinco aviões A350-900, que têm cerca de 330 lugares, para a operação internacional. Esses modelos começarão a ser entregues em 2017.

Competição. Com aviões maiores, a Azul terá mais condições de enfrentar as líderes TAM e Gol nas rotas entre grandes cidades. Hoje, TAM e Gol usam aviões de até 187 lugares para voar pelo Brasil, enquanto a Azul pode oferecer, no máximo, 120 assentos.

Os jatos da Airbus e da Boeing, no entanto, restringem a operação das companhias aéreas nas cidades médias. Nesses casos, falta demanda para encher o avião, o que inviabiliza comercialmente o voo e restringe o número de destinos atendidos pelas companhias aéreas. Hoje, a Azul é líder no Brasil em número de destinos atendidos, com 105 cidades, contra 52 de Gol e 42 da TAM.

Gol e TAM, no entanto, estudam fazer um movimento contrário à Azul e comprar aviões menores para avançar no transporte aéreo do interior do País. O movimento é estimulado pelo governo, que ofereceu às companhias aéreas subsídio aos voos para o interior, mesmo em rotas já existentes. A TAM já afirmou que está avaliando modelos de aeronaves para fazer voos regionais. E a Gol confirmou no mês passado que está em negociações com a Embraer para a compra de jatos de segunda geração.

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