Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Azul tenta abrir capital pela 4ª vez

Nas vezes passadas, os planos da companhia aérea foram frustrados por uma ambiente desfavorável do mercado

Fernanda Guimarães, Broadcast

07 de fevereiro de 2017 | 18h26

SÃO PAULO - Depois de realizar seu pedido para registro de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na Securities and Exchange Comissions (SEC), a companhia aérea Azul fez seu registro de oferta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A companhia aérea, que busca uma dupla listagem, ou seja, ter ações na BM&FBovespa e em Nova York, tentará pela quarta vez sua abertura de capital. Nas vezes passadas, os planos foram frustrados por uma ambiente desfavorável do mercado. A nova tentativa de IPO da Azul foi antecipada pela Coluna do Broad.

O grupo de acionistas vendedores é composto especialmente por fundos e a abertura de capital era um passo já definido para a companhia. A listagem na BM&FBovespa está prevista para ocorrer no Nível 2 de governança corporativa.

Embora o capital da empresa seja constituído por ações ordinárias e preferenciais, serão oferecidas no mercado apenas PNs, que não têm direito a voto, mas que traz como contrapartida maiores direitos econômicos, como o pagamento de dividendos. No mercado essa ação foi batizada de ação "superpreferencial" .

Conforme especialistas, as ações preferenciais se encaixam ao perfil daquele investidor que não quer fazer parte do poder decisório da companhia e que o interesse está na bonificação atrelada ao papel: a Lei das S/As estabelece que as ações preferenciais ofereçam dividendo, no mínimo, 10% maiores que o das ordinárias. No entanto, é sabido que será colocado um desconto no valor do papel, fato que é aceito pelas empresas.

No caso da ação preferencial da Azul o "prêmio" é muito maior. Conforme seu prospecto, o detentor da ação preferencial terá o direito a receber, por exemplo, dividendos 75 vezes maior do que o valor pago a cada ação ordinária.

Outra característica dessa ação é seu direito em oferta pública de aquisição (OPA), por conta de alienação do controle da empresa nas mesmas condições e ao preço por ação equivalente a 75 vezes o preço por ação pago ao acionista controlador alienante.

Do lado da Azul, o objetivo é não alterar a estrutura de controle da companhia, que é claramente dividida entre aqueles que têm poder político e aqueles com poder econômico. O maior acionista da Azul é David Neeleman, fundador da companhia aérea, com 52%. A Trip (Participações e Investimentos) é o segundo maior acionista, com cerca de 26%. A chinesa Hainan Airlines, que entrou no capital da empresa em 2015, possui 6% da Azul.

Na ação preferencial da Azul, há casos, no entanto, que a ação poderá ter o direito ao voto. O voto será possível, por exemplo, em caso de "transformação, incorporação, fusão ou cisão da Companhia".

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