Bacia de Santos pode duplicar reservas de gás no Brasil

O volume de gás natural que pode ser descoberto na nova Bacia de Santos tem potencial para duplicar as reservas brasileiras do combustível, informou hoje José Luiz Marcusso, gerente-geral da Unidade de Negócio de Exploração e Produção da Bacia de Santos (UN-BS). A afirmação foi feita durante a inauguração da nova sede da companhia, localizada em Santos, litoral paulista. As reservas provadas do Brasil hoje superam os 350 bilhões de metros cúbicos de gás. "Podemos duplicar isso", diz Marcusso.A unidade terá a tarefa de descobrir mais gás e petróleo na bacia petrolífera que pode alcançar a relevância atual da Bacia de Campos, esta responsável por 80% do abastecimento do País. O investimento da Petrobrás na nova bacia demonstra a esperança que a estatal tem nestes novos campos. O investimento em dez anos pode alcançar os US$ 18 bilhões. Entre 2007 e 2011, a Petrobrás anunciou investimentos de 10,2 bilhões, US$ 3,3 bilhões em Exploração e Produção (E&P) nos cinco pólos.Durante a inauguração da nova sede, que promoverá uma profunda mudança econômica na Baixada Santista - alteração que ainda sequer foi mensurada -, o presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, explicou que a Bacia de Santos deverá contribuir com até 30 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia a partir de 2010. A previsão há pouco tempo era a metade disso. O primeiro pólo a receber investimento será o de Mexilhão (existem outros quatro, que paulatinamente começarão a ser desenvolvidos a partir de agora, e estão contemplados nos pacote global de investimentos).CamposSomente o Pólo de Mexilhão - um campo descoberto e que tem a vantagem de produzir apenas gás natural - terá capacidade para produzir 15 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Esse volume se somará ao campo de Merluza (já em produção), BS-500, Centro e Sul.De acordo com Marcusso, que associou o desenvolvimento da Bacia de Santos ao compromisso de garantir auto-suficiência em gás natural no Brasil, a Petrobrás não informará volumes de reservas de gás e petróleo em Santos, por enquanto. "Ainda é cedo informar volumes, mas as indicações que recebemos são muito boas", afirmou. Hoje, metade do consumo brasileiro é abastecido pela Bolívia. Em 2010, Gabrielli disse que pretende reduzir a dependência dos bolivianos a 30%.ExpectativasAssim como não foram divulgadas os volumes totais da Bacia de Santos, também ainda não se conhece o valor que a Petrobrás pagará de royalties à Agência Nacional do Petróleo (ANP), bem como o montante que será distribuído aos municípios da Baixada Santista. O dado somente será conhecido quando a produção começar. Pelos critérios de distribuição, os municípios precisam integrar parte da área geográfica do campo, além do fato de a reserva estar em efetiva produção.O presidente da Petrobrás pediu que as cidades que receberão o recurso tenham projetos para garantir a sustentabilidade do ciclo de desenvolvimento promovido pela indústria petrolífera. "O petróleo e o gás acabam. O pagamento de royalties serve como uma compensação pela exploração de uma riqueza finita. É importante que o dinheiro seja usado com muito critério", lembrou. Só a presença da Petrobrás em Santos demandará volumes expressivos de bens e serviços.Gabrielli disse que embora a companhia tenha preocupação em geração de demandas regionais, a preocupação é a de gerar encomendas no País. A empresa tenta que 66% das demandas sejam satisfeitas no Brasil. A participação regional maior neste porcentual, afirmou, dependerá das políticas de desenvolvimento e atração de empreendimentos a serem criadas pela comunidade de prefeitos da região.O prefeito de Santos João Paulo Papa (PMDB) disse ontem, após a solenidade que marcou a abertura da unidade da Petrobrás na região, que promoverá um fórum com os prefeitos da região para discutir formas de aproveitar o impulso que será dado pela estatal. "Esta é a melhor notícia dos últimos 50 anos na região", comemorou.

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