Bahadian diz que Alca poder não sair em 2005

O co-presidente das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), embaixador Adhemar Bahadian, afirmou nesta quarta-feira que é muito provável que a data de conclusão do acordo seja postergada. Em princípio, o texto final deveria ser assinado até 31 de dezembro de 2004. Durante exposição na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Bahadian avaliou que o momento atual das negociações é "muito sensível e delicado" e lembrou que os riscos de não concluir a última rodada, em Puebla, será a dispersão do Mercosul.Em uma comparação da Alca com canções populares, Bahadian deixou clara a resistência do governo brasileiro em relação a essas negociações. "Com relação à música do John Lennon, Imagine, que já virou um hino de paz há muitos anos (...), queria dizer que continuo achando que é uma das melhores poesias já escritas em música popular", explicou Bahadian, ao responder a uma pergunta do presidente da Comissão, senador Eduardo Suplicy (PT-SP), se a Alca não poderia ser comparada, no futuro, ao mundo traçado em Imagine. "Mas eu acho que, com toda honestidade, falando em termos de Alca, que a música que eu me lembraria é a do Chico Buarque, que não sei o título, mas que tem aquela frase inicial ´Pai, afasta de mim este cálice´", completou. Usada por Chico Buarque, a expressão "Pai, afasta de mim esse cálice" foi a de uma oração de Jesus Cristo, ao pedir a Deus que o poupasse do sofrimento do Calvário.Durante sua exposição, Bahadian agiu mais como o principal negociador brasileiro que como co-presidente da Alca ? confusão que também é repetida com freqüência pelo outro co-presidente, o embaixador americano Peter Algeier. Por exemplo, quando tratou dos prazo final da negociação. Bahadian, entretanto, compartilhava com o embaixador Luiz Felipe Macedo Soares, o principal negociador, de fato, a tarefa de explicar o andamento da Alca aos nove senadores e deputados que passaram pela Comissão. "As datas não são imutáveis. É muito possível que o prazo de 2005 poderá mudar", afirmou, de forma mais enfática que declarações anteriores do chanceler, Celso Amorim. "O acordo é possível desde que haja preservação dos interesses que não queremos ceder", completou Bahadian, referindo-se aos temas que o Brasil resiste em tratar profundamente ? investimentos, serviços, compras governamentais e propriedade intelectual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.