Bahia pressiona TCU por Ferrovia Oeste-Leste

O governador da Bahia, Rui Costa, convocou uma comitiva com mais de 20 representantes de federações e parlamentares para uma reunião com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz.

André Borges, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2015 | 02h02

O encontro realizado ontem foi, na realidade, uma forma de marcar posição e pressionar o TCU, por conta de uma auditoria feita nas obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).

Na semana passada, uma auditoria realizada pelo Tribunal recomendou que as autoridades responsáveis pela ferrovia avaliassem a possibilidade de construir apenas o trecho final do projeto, de 500 quilômetros, entre Caetité e Ilhéus, no litoral baiano. Outros dois trechos - de também 500 quilômetros cada um - ficariam para outro momento.

Basicamente, o que o TCU fez foi apenas uma sugestão, sem nenhum tipo de decisão sobre o assunto.

A ideia, no entanto, foi suficiente para mobilizar toda a bancada local e deslocar o governo petista até Brasília.

Depois do encontro com o baiano Aroldo Cedraz, o governador Rui Costa disse que o resultado da reunião foi positivo e que a Fiol será construída em toda a sua extensão de 1,5 mil quilômetros, entre Ilhéus e Figueirópolis, no Tocantins. Costa fez ainda uma crítica à atuação de fiscalização do Tribunal que, segundo ele, acaba por inibir gestores e a execução de obras.

Pânico. "Hoje se criou um pânico no País inteiro. Nenhum gestor público ou dirigente de empresa quer assinar documento. Todo mundo quer mais relatório, mais parecer e o País está parando, milhares de pessoas sendo desempregadas, o povo sofrendo por conta desse excesso de controle", afirmou Costa.

A ferrovia, prevista para ser entregue em julho de 2013, viu seu prazo ser dilatado em cinco anos e agora é esperada para 2018. O preço da obra já saltou de R$ 4,3 bilhões para R$ 6,5 bilhões.

O TCU, com a auditoria, tinha a intenção de checar o custo-benefício de se fazer toda a ferrovia ou apenas parte do projeto. O trecho de Caetité até Ilhéus é o mais avançado, com 60% de execução física. O trecho final, de outros 500 quilômetros, ligaria a estrada de ferro à Ferrovia Norte-Sul, mas este sequer tem estudo ou licenciamento concluídos.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.