Baixa adesão a acordo com aposentados preocupa governo

Preocupado com a baixa adesão ao acordo que prevê o pagamento, em parcelas, da diferença de correção monetária não incorporada ao cálculo das aposentadorias e pensões por ocasião da implantação do plano Real, o ministro da Previdência Social, Amir Lando acenou nesta terça-feira com "mudanças de procedimento" nos contratos de adesão. O governo chamou os representantes dos aposentados para uma conversa, na primeira tentativa de aproximação com as lideranças dos aposentados.Segundo o ministro, não estão previstas mudanças de mérito, como por exemplo diminuição do prazo para o pagamento, que é a principal reivindicação dos aposentados. Ele disse que o governo quer facilitar a adesão e, para isso, está disposto a verificar se está havendo alguma falha no processo. "Não posso assumir a responsabilidade de que vamos alterar a medida provisória. Isso é uma decisão de governo", disse Lando diante das críticas dos aposentados.O ministro admitiu que as adesões, que somam até o momento 114.067 num universo de beneficiários da ordem de 1,8 milhão, estão aquém do esperado pelo governo. "Não vejo como construir o acordo sem a participação das associações", observou. Ele pediu às lideranças que encaminhassem ao seu gabinete suas reivindicações. "Eles ficaram de nos colocar por escrito os pontos que eles entender ser necessários", ponderou.Entidades de classe discordam do prazo Apesar de demonstrarem satisfação com a disposição do ministro em discutir a questão, a solicitação de Lando não deve ser cumprida pelos aposentados. O presidente do Sindicato dos Aposentados da Força Sindical, João Inocentini, argumentou que a posição da entidade é conhecida pelo governo e que ele prefere lutar pelas alterações na MP no Congresso Nacional."Não vamos sofrer o desgaste de apresentar nova proposta ao governo. Vamos tentar mudar o texto no Congresso", adiantou. Segundo Inocentini a proposta do governo, de pagamento em até oito anos, não interessa aos aposentados que podem receber mais rapidamente na justiça.O presidente da Confederação Brasileira dos Aposentados (Cobap), João Lima, defendeu a mesma posição do colega. Desde o anúncio do acordo, feito em julho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Cobap rejeitou a proposta do governo e instruiu as entidades ligadas a ela a orientarem os aposentados a não assinarem o termo de adesão. "O governo está encurralado porque sabe que vai ter que pagar à vista as decisões judiciais", disse.

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