Baixa do PIB no 1º semestre é a maior da série, diz IBGE

Mau desempenho nos seis primeiros meses é puxado pela indústria, que acumula queda de 8,6% no período

JACQUELINE FARID E ADRIANA CHIARINI, Agencia Estado

11 de setembro de 2009 | 11h01

A gerente de contas trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis, destacou nesta sexta-feira, 11, que a queda de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre de 2009, ante igual período de 2008, representou o maior recuo semestral da série da pesquisa, iniciada em 1996. O dado foi divulgado nesta sexta pelo IBGE, que também informou um crescimento do PIB de 1,9% no segundo trimestre deste ano, em relação ao primeiro, o que tecnicamente confirma que o País não está mais em recessão.

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Segundo Rebeca, o mau desempenho nos seis primeiros meses de 2009 foi puxado especialmente pela indústria, com queda de 8,6% no período acumulado - também um recuo recorde da série histórica. A agropecuária, com variação negativa de 3% no primeiro semestre de 2009, contribuiu para puxar para baixo o resultado do PIB. Por outro lado, ela observou que o consumo das famílias (2,3%) e do governo (2,5%) mantiveram resultados positivos, apesar da desaceleração no ritmo de alta em relação aos números registrados no primeiro semestre de 2008.

PIB da agropecuária

O IBGE esclareceu ainda que a queda de 4,2% no PIB da agropecuária, no segundo trimestre de 2009 ante igual período de 2008, é o maior recuo trimestral para esse setor desde o quarto trimestre de 1998 (quando a queda foi de 6,3%).

De acordo com Rebeca, o resultado negativo da agropecuária no período reflete a queda na safra de produtos importantes, como a soja, sobretudo por problemas climáticos, além de uma base de comparação elevada do ano passado. Entre as atividades que compõem o cálculo do PIB agropecuário, os destaques de queda no período entre abril e junho de 2009 ante iguais meses de 2008 ficaram com a soja (-5,2%, sendo que este é o produto de maior peso no PIB do setor), o milho (-14,2%) e o café (-13,5%).

Por outro lado, a principal contribuição positiva para o PIB do setor ficou com o arroz, com alta de 4,2%, por causa do aumento da safra do produto.

PIB da indústria

A indústria mostrou reação no PIB do segundo trimestre em relação aos resultados do primeiro trimestre, apesar de seguir em queda em relação a igual período do ano passado, observou Rebeca. Segundo os dados divulgados pelo instituto, o PIB da indústria aumentou 2,1% no segundo trimestre ante o trimestre imediatamente anterior e registrou queda de 7,9% ante o segundo trimestre do ano passado. Isso reduziu o ritmo de recuo em relação ao apurado no primeiro trimestre de 2009 ante igual período de 2008, quando a variação foi negativa em 9,3%.

Segundo explicou Rebeca, a queda no PIB da indústria no segundo trimestre deste ano foi puxada especialmente pela indústria de transformação, cuja baixa foi de 10,0% no período, com destaque para os desempenhos negativos na produção de máquinas e equipamentos, metalurgia, peças e acessórios para veículos, mobiliário, vestuário e calçados. Houve queda também na indústria extrativa mineral (-0,8%) no segundo trimestre deste ano ante igual período do ano passado). Ela foi puxada pela extração de minério de ferro (-27,4%), enquanto a extração de petróleo e gás registrou crescimento de 5,9%.

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