Baixa do PIB no segundo trimestre será o fundo do poço, diz Ilan Goldfajn

Para economista chefe do Itaú Unibanco, trimestres seguintes podem registrar recessão, mas não tão forte

Célia Froufe e João Villaverde, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2015 | 13h49

BRASÍLIA - O economista chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, previu que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano será o fundo do poço em termos de magnitude, mas ele acredita que a tendência de retração continuará nos meses seguintes. Nesta quarta-feira, o BC divulgou queda de 0,58% do IBC-Br em junho ante maio e o PIBIU do banco recuou 1,1% no mesmo período. 

"O segundo trimestre é o fundo do poço, mas as quedas vão continuar no terceiro. Sem dúvida, porém, esta foi a pior queda", salientou. Segundo ele, câmbio já está próximo do ponto de equilíbrio.

"Vejo que as sementes do crescimento futuro estão plantadas", disse Goldfajn, que citou, além do novo patamar do real, o realinhamento de preços administrados e a "desalavancagem" da economia, com a redução das dívidas por parte das empresas e também do governo, como resultado do ajuste fiscal em curso. "Tudo isso, invariavelmente, levará a crescimento futuro. Mas ainda não será em 2016", disse ele, que foi diretor do Banco Central de 1999 ao início de 2003. 

Goldfajn salientou que a grande novidade no cenário global é que os países emergentes estão bem fracos e isso traz consequências. A principal é a força do dólar em relação a moedas emergentes. "Isso puxa uma depreciação do real e de várias moedas. Não temos observado só os problemas daqui. Nem tudo se passa pelas questões locais, mas é claro que a parte do Brasil está maior", disse,acrescentando que não se pode ignorar que as commodities voltaram a cair e todos que as vendem sofreram impacto relevante. 

A projeção do economista é a de que o dólar encerre este ano em R$ 3,55 e o próximo, em R$ 3,90. "A percepção é que cenário mudou para o Brasil", resumiu. Ele salientou que a expectativa anterior era a de que a inflação ia se aproximar mais rápido do centro da meta de 4,5% do ano que vem. "Mas o câmbio praticamente não vai deixar convergência mais rápida da inflação", considerou.

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