Baixa inovação freia avanço do Brasil

Estudo aponta que País é um dos menos competitivos em investimentos em P&D

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 02h03

O baixo investimento das empresas nacionais em inovação coloca o Brasil entre os menos competitivos dos países emergentes. Um estudo encomendado pela Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) mostra que os países produtores de atividades intensivas em conhecimento participam mais ativamente do comércio internacional.

Segundo o economista Jorge Arbache, professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador desse estudo, para o Brasil se integrar às cadeias de conhecimento globais, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que hoje são de 1,2% do PIB, precisam chegar, no médio prazo, ao patamar da China, de 1,8%, e, no longo prazo, ao patamar dos países da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2,4%.

O estudo foca no setor privado - e não no Estado - o protagonismo da inovação brasileira. Desde 2005, o nível de investimentos das empresas brasileiras em P&D está estacionado em pouco mais de 0,5% do PIB, contra 1,8% nos Estados Unidos, 1,6% na zona do euro e 1,7% na China. "O setor privado investe muito pouco, é menos engajado. O ideal é que haja uma complementaridade entre Estado e empresas", disse Arbache.

A ABPI encomendou esse trabalho para ser debatido no 34º Congresso Internacional da Propriedade Intelectual, que será realizado em São Paulo, entre amanhã e terça-feira. "Vamos colocar esse assunto em discussão e formalizaremos um documento oficial que deverá ser apresentado aos candidatos à Presidência", disse Elisabeth Kasznar Fekete, presidente da ABPI. Segundo ela, as empresas dos setores mais intensivos em conhecimento faturam e empregam mais, têm força de trabalho mais escolarizada e pagam melhores salários.

Para ganhar competitividade internacional, as empresas brasileiras não devem concorrer em custos, que no Brasil continuarão altos, destacou Arbache. O caminho é aumentar seus investimentos em ciência e tecnologia, inovações de produtos e de processos. "Atribuir o baixo investimento à agenda de custos não nos leva para a frente", afirmou.

Cadeia global. Com baixa produção em bens intensivos de conhecimento, o Brasil se beneficia pouco das rendas geradas pelas "cadeias globais de valor", aponta o estudo de Arbache. "A Embraer é um excelente exemplo de como o Brasil pode mostrar que é ambicioso", disse. No entanto, o caso Embraer é um dos poucos que podem ser citados como bom exemplo no quesito inovação.

"O Brasil parou de produzir aços especiais e ficou focado em produtos voltados para construção civil e chapas para o setor automobilístico. Mas não é apenas no setor siderúrgico que os investimentos em produtos inovadores são baixos. Há vários setores, entre eles o têxtil e o calçadista, por exemplo. Nós importamos projetos de engenharia."

O estudo aponta, ainda, que são as entidades públicas e multinacionais que respondem pelo grosso das patentes depositadas no Brasil. Mesmo assim, vêm declinando: de 3.400 patentes depositadas em 2003, houve queda para menos da metade em 2012.

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