Baixa renda melhora de vida

Pereira, que entrega folhetos nas ruas, recebe menos que o mínimo, mas tem outros benefícios

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

Luiz Felipe Pereira, de 16 anos, é um exemplo de trabalhador na cidade do Rio de Janeiro com nível mínimo de qualificação e experiência. Ele é "panfletista", entrega às pessoas que passam pela rua folhetos de propaganda de uma loja de conserto de relógios no centro do Rio.

Trabalhando há menos de um ano, Pereira contou que estudou até a oitava série do ensino Fundamental, mas é contestado por seus colegas. Ele, então, admitiu: "Não sei escrever muito não, e só leio muito pouco".

Apesar dessa desvantagem, Pereira está contente com os progressos feitos recentemente na sua vida profissional. Anteriormente, ele entregava folhetos para outra loja, recebia pouco mais de R$ 400 por mês, mas sem direito à condução.

Agora, ele recebe R$ 400, mas com condução e almoço. E esses benefícios fazem uma boa diferença. Só de gastos com transporte são R$ 4,80 por dia, ou cerca de R$ 100 num mês.

Pereira está começando no novo emprego: "Depois de amanhã vou receber pela primeira vez, e vou comprar uma roupa", disse, referindo-se à sexta-feira passada. Ele relatou que o novo emprego veio a partir de dica de colegas panfletistas.

Mas, entre os trabalhadores de ruas no Centro do Rio, Pereira ainda faz parte da minoria que declara ter rendimentos inferiores ao salário mínimo.

Camelôs e panfletistas, de maneira geral, estimam seus ganhos mensais em valores que vão de R$ 600 para cima.

Com sorte, o panfletista poderá ter uma nova proposta para entregar folhetos no centro da cidade, recebendo R$ 30 por dia, ou cerca de R$ 600 por mês, o que é pago por diversos estabelecimentos no Rio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.