Baixar juros seria prematuro, explica a ata do Copom

A preocupação com a possibilidade de a inflação permanecer elevada por um período mais longo foi a principal razão para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidisse, na semanapassada, pela manutenção da meta da taxa Selic em 16,5% ao ano. "Mesmo que o comportamento recente da inflação possa ser explicado por fatores extraordinários ou sazonais, e que os resultados mensais da inflação retornem para valores compatíveis com as metas nos próximos meses?, diz a ata da reunião, que está sendo divulgada nesta quinta-feira?, ?o cumprimento da meta de 5,5% em 2004 requererá maior cautela da política monetária do que anteriormente previsto, tendo em vista o resultado de janeiro e as expectativas para o curto prazo, que apontam para uma inflação próxima a 2% no primeiro trimestre, de acordo com a Gerin."Assim como em janeiro, os diretores do BC lembram na ata que ainda existem dúvidas em relação os impactos dos cortes de juros promovidos em 2003, o que contribui para o quadro de cautela desenhado pelo Copom. "À luz das dúvidas importantes que persistem acerca das defasagens e da magnitude dos impactos sobre a atividade econômica e sobre a inflação da redução de 10 pontos porcentuais na taxa básica de juros ocorrida entre junho e dezembro de 2003, o Copom mantém o diagnóstico expresso nas notas da reunião de janeiro, de que há uma probabilidade concreta de que a inflação volte a se desviar da trajetória de metas, o que requer cautela adicional na condução da política monetária", explicam os diretores do BC na ata. Flexibilização seria prematura O Copom acredita que um retorno "prematuro" do processo de flexibilização da política monetária poderia comprometer o cumprimento da meta de inflação este ano. De acordo com a ata da reunião, o balanço entre os riscos de desvio da inflação em relação às metas e de interrupção do processo de recuperação da economia não se alterou, significativamente, desde janeiro. "O retorno prematuro ao processo de flexibilização da política monetária, interrompido em janeiro, aumentaria significativamente o risco de que a inflação se desviasse da trajetória de metas e, portanto, de que se tornasse necessária uma mudança na política monetária no médio prazo, com fortes movimentos na taxa de juros e impactos significativos sobre a atividade", argumentam os diretores do BC. Para o Copom, a manutenção da taxa básica de juros embute, por outro lado, um risco "substancialmente menor" de causar danos palpáveis ao processo em curso de recuperação da economia. "Diante disso, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a meta para a taxa Selic em 16,5% ao ano sem viés, no aguardo de sinais consistentes de que é suficientemente baixo o risco de que a inflação se desvie da trajetória de metas", concluem os diretores do BC.

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