Baixos preços prejudicam investidor

A fórmula de cálculo para o preço de oferta de uma ação, de acordo com as últimas operações de recompra, tem seguido as cotações do papel em pregões passados. Na opinião de analistas, a fórmula é ruim, pois não incorpora nem uma parte da perspectiva de valorização do ativo.O investidor minoritário é o grande penalizado. Isso porque ele fica sem opção. Se aceita a oferta, vende o papel por um preço abaixo do preço justo. Se não aceita, corre o risco de ficar com um ativo de baixa liquidez - facilidade de negociação.De acordo com Waldir Luiz Corrêa, presidente da Associação Nacional dos Investidores de Mercado de Capitais (Animec), essa é uma forma injusta de tratamento para o investidor. Ele acredita que a principal conseqüência disso é o esvaziamento do mercado de capitais brasileiro. "O investidor estrangeiro vê essa situação de forma muito negativa", afirma.Para Alexandre Póvoa, diretor de renda variável do ABN Amro Asset Management, a falta de transparência e de proteção para o acionista minoritário eleva o risco dos investimentos em Bolsa no Brasil. Ele acredita que as empresas têm muitas facilidades para captar dinheiro no País, mas não tratam os acionistas de maneira coerente.Póvoa lembra que um dos fatores necessários para o crescimento do País é um mercado de capitais forte. "Se tivermos um mercado acionário mais regulado, as chances de recuperação da economia do Brasil aumentam", justifica. De acordo com Marcelo Guterman, administrador de carteira de renda variável do Lloyd´s TSB, essa situação é ainda pior para o investidor local, que fica com opções mais restritas dentro do mercado de ações. Analistas apontam falhas na Lei das SAs. Em relação às Lei das SAs, alguns analistas afirmam que ela não tem todas as regras para a proteção do acionista minoritário. Guterman afirma que se ela passar da maneira como está, as mudanças são menores do que o mercado necessita.Jorge Simino, diretor de renda variável da Unibanco Asset Management, acredita que a nova lei pode melhorar a situação do mercado acionário, mas não vai resolver todos os problemas. "Depois que a casa foi arrombada, não adianta colocar travas", compara.

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