Balança apura superávit recorde, segundo mercado

A balança comercial brasileira atingiu no mês de julho, até ontem, um superávit de US$ 1,011 bilhão, segundo apurou a Agência Estado junto a fontes do mercado. Este é o maior saldo positivo registrado num único mês desde setembro de 1994, quando a balança comercial contabilizou um resultado positivo de US$ 1,431 bilhão. "Ainda faltam sete dias para o mês de julho acabar, mas dificilmente este valor será alterado para baixo", diz um analista de um banco estrangeiro com forte participação no mercado doméstico.Este dado contraria as previsões feitas no mês passado, de que com o fim da greve dos funcionários da Receita Federal poderia haver uma reversão dos saldos positivos da balança comercial. Analistas do mercado financeiro que acompanham o desempenho da balança acreditavam que poderia haver um volume excessivo de importações aguardando o fim da greve para ser desembaraçado, uma vez que o processo burocrático é mais rigoroso para as importações do que para as saídas de mercadorias do País."A greve terminou e não se verificou um impacto tão forte das importações sobre o saldo da balança comercial", afirma o economista Luiz Fernando Cezário, da ABN Asset Management. Ao contrário, ressalta o economista, houve um crescimento substancial no volume das exportações de soja, minério de ferro e açúcar no mês de julho, logo após o término da greve da Receita. Até a segunda semana de junho, de acordo com Cezário, a média diária das exportações de soja atingiu US$ 63,070 milhões, mostrando um aumento de 222,7% sobre a média diária de junho, de US$ 19,540 milhões.Sobre a média diária das exportações da mercadoria em julho do ano passado, de US$ 24 milhões, o salto é de 162,79%. "O que se observava era um volume muito pequeno de exportações de soja nos semestre, diante da safra recorde do grão", afirma Cezário. A explicação dos analistas, confirmada pelo próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, era que os produtores e exportadores de soja estavam retendo o produto à espera de uma melhora no câmbio. "Eles se deram muito bem porque, além da desvalorização cambial, houve também quebra de safra nos EUA em função de problemas de seca e queimadas", ressalta o economista da ABN Asset. Segundo ele, a menos que o efeito importações represadas pela greve ainda venha a afetar a balança, os saldos deverão ser ainda maiores nos próximos meses.O Departamento Econômico da ABN Asset prevê ainda uma elevação das exportações de produtos manufaturados para o segundo semestre, acaso a crise acionária norte-americana não atinja o lado real da economia dos EUA. Em julho, até a segunda semana, as exportações brasileiras de manufaturados cresceram 1,68%, de US$ 124,5 milhões, em junho, para US$ 126,6 milhões. De acordo com o economista, espera-se que estes dados melhorem por causa do acordo de preferência tarifária assinado com o México, para o qual as exportações, principalmente de automóveis, devem aumentar."No caso dos carros, a cota do Brasil de 50 mil carros por ano foi elevada para 150 mil e a tarifa que era de dois dígitos caiu para 1% a partir de agosto, para zero em 2003 e 2004, com cotas crescentes, até atingir o livre comércio em 2006", lembra o economista, acrescentando que, com este cenário, o Brasil passa a ter acesso a um mercado potencial de US$ 30 bilhões. "Isso deve se traduzir em maiores exportações no longo prazo", diz o economista da ABN Asset. Cezário lembra ainda as exportações de açúcar em julho, pela média diária, atingiram US$ 11,2 milhões, um crescimento de 20,43% sobre a média diária de US$ 9,3 milhões em junho. Sobre julho do ano passado, quando a média diária era de US$ 10,9 milhões, o crescimento é de 2,75%.Nas exportações de minério de ferro, o salto depois do fim da greve da Receita foi surpreendente. A média diária em junho era de US$ 3,65 milhões. Em julho subiu para US$ 22,7 milhões, com um crescimento de 521,9%. "Por conta disso, estamos pensando elevar nossa previsão de superávit para a balança comercial deste ano de US$ 5 bilhões para US$ 5,5 bilhões ou US$ 6 bilhões", diz o economista da ABN Asset.

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 19h28

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