Balança automotiva com a Argentina continua deficitária

Pelo quarto ano seguido, país vendeu mais carros ao Brasil do que comprou; até outubro, a diferença já é de US$ 1,25 bilhão

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h08

O saldo da balança comercial automotiva entre Brasil e Argentina será deficitário para os brasileiros pelo quarto ano seguido. Até outubro, as importações somam US$ 4,98 bilhões, ante exportações de US$ 3,72 bilhões - diferença de US$ 1,25 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Em número de unidades, a diferença é positiva, embora pequena. Foram enviados ao país vizinho 275,7 mil veículos e trazidos de lá 269,5 mil. A explicação é que o Brasil exporta mais carros compactos, de menor custo, e importa mais modelos médios, de maior valor.

Ainda em valores, as exportações brasileiras caíram 13,2% em relação a 2011, enquanto as importações cresceram 1,3%. Além do desaquecimento do mercado argentino, a queda ocorre em razão das restrições do governo de Cristina Kirchner ao produto brasileiro.

Os constantes problemas com o vizinho podem ter sido um dos motivos da redução de investimentos das montadoras naquele país. Dados da consultoria Abeceb mostram que, de 2004 a 2010, de todos os automóveis novos que passaram a ser produzidos nesse período na região, 45% foram no Brasil, 36% no México e 19% na Argentina. No período 2011-2013, apenas 12% dos novos projetos foram para a Argentina, enquanto o México manteve a participação de 36% e o Brasil ficou com 52%.

Executivos da indústria brasileira se preparam para novo embate com os argentinos. O atual acordo, assinado em 2008, estabelece o livre comércio entre os dois países a partir de 2013, mas essa possibilidade está, mais uma vez, descartada.

A liberalização das compras já foi prevista para 2006, mas, nesses anos, o que se viu foi a ampliação de barreiras argentinas e algumas tentativas de "revanche" pelo Brasil. Os argentinos prometem endurecer novamente no ano que vem.

"Vai ser uma negociação difícil, mas uma integração dos dois países é fundamental, pois um depende do outro", prevê o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini. Uma reunião agendada entre as partes no início de novembro foi cancelada. O acordo atual estabelece que, para cada US$ 1 que a Argentina importa do Brasil, pode exportar US$ 2,50 livre de impostos. / C.S.

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