Balança comercial baterá recorde em 2005, prevê economista

O economista Danny Rappaport, da Investport Gestão de Recursos, prevê um novo recorde no saldo da balança comercial este ano. "Eu não saberia se US$ 35 (bilhões) ou US$ 40 (bilhões), mas o fato é que, provavelmente, a balança comercial será superior a do ano passado", afirmou o diretor da Investport, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". Rappaport justifica a previsão com o aumento no preço das commodities, principalmente minério de ferro, que tem dado impulso às exportações brasileiras. Além disso, os manufaturados não têm apresentado queda acentuada, como seria de se esperar pela apreciação do real no final do ano passado. "Eu acho que teremos um recorde na balança comercial este ano."No entanto, Danny Rappaport alerta para a elevação dos juros no mercado externo, o que deverá mudar o humor dos investidores em relação aos países emergentes. "A situação lá fora parece complicada, com os juros de longo prazo começando a subir, algo que não vinha acontecendo nos últimos meses, conforme as taxas de curto prazo foram subindo", ponderou o economista. "Isso tende a fazer com que os investidor volte a ativos de menor risco, portanto sai do Brasil, tanto no tocante à dívida externa quanto à bolsa."Outro facilitador das exportações será a valorização do dólar em relação ao real. Na opinião de Rappaport, o mercado doméstico voltará a apreciar a moeda americana. "Nós temos um mercado que foi extremamente comprador de reais nesses últimos meses, com um único comprador de dólar, que foi o Banco Central (BC)", frisou. Segundo o economista, como o BC não deverá mudar de lado, porque pretende acumular reservas, o dólar terá um novo ciclo de valorização. Entretanto, ele prevê que a moeda americana seguirá se desvalorizando em relação às principais moedas. "O caso do real, em particular, é que se trata de uma moeda de um país relativamente fraco, de risco alto."Danny Rappaport advertiu que a administração Lula parece estar na contramão dos anseios dos empresários brasileiros, que querem que o governo prossiga na trajetória de redução do risco país. "Os empresários querem um ambiente trabalhista mais flexível e contas fiscais mais ajustadas", salientou o analista. "Mas isso só se consegue com contas públicas mais razoáveis e com um mercado de trabalho mais flexível. O governo parece estar caminhando contra essa direção."Para Rappaport, as taxas de juros no Brasil são extremamente elevadas e deveriam retomar uma trajetória de queda. "Com essa taxa de juros, a dívida pública provavelmente atinge níveis insustentáveis no longo prazo", estimou o economista. Apesar disso, Rappaport prevê que haverá uma nova alta na taxa básica de juros (Selic) na reunião do Copom que termina hoje, por conta da provável alta do IPCA, puxado pelas tarifas de transporte em São Paulo. "A minha expectativa é de que o BC, mesmo que venha a subir a taxa de juros em 50 pontos base ou em 25 pontos base, ele comece a indicar que a trajetória de alta está no fim, como fez na ata passada do Copom", previu. "Essa indicação é o movimento mais importante entre o resultado da reunião de amanhã e a divulgação da ata."

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