Balança comercial: cenário negativo

No início do ano passado, com a desvalorização do real em relação ao dólar, o segmento de produtos manufaturados ganhou fôlego para produzir e exportar. Até setembro, esse grupo de produtos acumulava no ano um aumento de 20% nos seus embarques ao exterior. O último dado de outubro mostrou que eles continuavam crescendo, mas apenas 3,9%. "A taxa de câmbio deixou de ser um fator de estímulo e, com a insegurança em relação ao futuro e perspectivas de aumento no consumo interno, as empresas optaram por atender o mercado local", diz o presidente da Associação dos Exportadores do Brasil (AEB), Benedito Moreira. Além disso, houve também a desvalorização do euro em relação ao dólar que, segundo a Funcex, chega a 34,7% desde janeiro de 1999. No mesmo período, a valorização do real ante uma cesta de moedas européias chega a 14,1%. "As exportações do Brasil para a Europa estão sendo muito prejudicadas", afirma o presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp, Boris Tabacof. "Hoje, em torno de dois terços das exportações brasileiras têm problemas de competitividade devido ao câmbio", diz Tabacof, referindo-se à Europa e à Ásia. Este, segundo ele, foi um dos motivos que levaram as empresas a apostar com mais força no mercado interno. Lei americana amplia barreiras às importações O cenário para a balança comercial brasileira também tornou-se mais negativo na semana passada, com uma lei assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, elevando ainda mais a barreira protecionista às importações do país, especialmente em relação aos produtos da indústria siderúrgica.A legislação, proposta pelo senador Robert Byrd, permite que o governo dos EUA repasse às empresas autoras das petições antidumpung e por direitos compensatórios as sobretaxas punitivas arrecadadas com as queixas.

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