Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Balança comercial começa 2015 com déficit de US$ 3,1 bilhões

Com queda no preço do petróleo, importação de combustíveis recuou 28,4% e ajudou a aliviar o déficit comercial, que havia sido de US$ 4 bilhões um ano antes

Laís Alegretti e Renata Veríssimo, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2015 | 15h14

A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 3,174 bilhões em janeiro, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As importações brasileiras registraram média diária de US$ 803 milhões no mês passado, uma retração de 12% em relação a janeiro de 2014. A queda foi mais intensa que nas exportações, que mostraram um recuo de 10,4% e média diária de US$ 652,6 milhões. Com isso, o déficit janeiro ficou 22% menor em relação ao mesmo mês de 2014, quando somou US$ 4 bilhões.

Segundo os dados do MDIC, a queda no preço do barril do petróleo impactou as importações. O grupo de combustíveis e lubrificantes apresentou recuo de 28,4% na comparação com janeiro de 2014. Além do preço, houve também queda nas quantidades compradas lá fora. No segmento de bens de consumo, houve uma baixa de 14,2%, puxada por automóveis de passageiros e partes. As importações de bens de capital caíram 8% e de matérias-primas e intermediários, 7%.

O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Daniel Godinho, afirmou que janeiro é um mês em que, tradicionalmente, a balança comercial registra saldo negativo. "Desde 2009 temos déficit em janeiro, exceto em 2010", disse. 

Segundo o secretário, essa característica sazonal se deve, do lado das exportações, à baixa atividade econômica, com férias coletivas e entressafra. "Na importação, tem baixa na atividade, mas tem um outro movimento devido à reposição de estoques que as empresas começam a fazer", completou. 

Exportações. Nas exportações, apenas o grupo de semimanufaturados teve alta de 3,1% em relação a janeiro de 2014, com aumento dos embarques principalmente de semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido, madeira serrada e óleo de soja em bruto. As vendas externas de básicos caíram 11,1%, com destaque com as quedas em minério de ferro, carnes bovinas e suínas, farelo de soja e carne de frango. As exportações de produtos manufaturados tiveram queda de 14,6%, puxada por automóveis de passageiros, óleos combustíveis, motores e geradores e hidrocarbonetos. 

Godinho não quis fazer projeções relacionadas à exportação de produtos brasileiros neste ano. "Temos diversos desafios. Lembramos a situação dos preços das commodities e as incertezas sobre crescimento de parceiros importantes", destacou.

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