Balança comercial continua em queda

ANÁLISE: José Augusto de Castro

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2015 | 02h04

Quando em dezembro passado apontamos que 2015 seria o ano do "superávit negativo", não esperávamos que as quedas fossem tão fortes e que o vermelho predominaria tanto em nossa balança comercial. Os números dos quatro primeiros meses do ano apontam queda das exportações e das importações, de 16,4% e 15,9%. O saldo comercial de abril foi positivo em US$ 491 milhões, quase repetindo o ocorrido em março (superávit de US$ 458 milhões), performance insuficiente para reverter os déficit ocorridos em janeiro e fevereiro. Assim, o saldo do quadrimestre está negativo em US$ 5,07 bilhões, um pouco menor do que o do ano passado, nada muito animador, já que a corrente de comércio caiu 16,1% no mesmo período.

Entre os principais produtos da pauta exportadora do País, quase todos apresentam diminuição da receita, decorrente sobretudo da queda das cotações, caso de soja em grão (-41,0%), minério de ferro (-45,1%), carne bovina (-24,2%), açúcar em bruto (-13,8%), couros e peles (-12,2%), petróleo (-4,0%). Algumas poucas commodities apresentam ganhos, como café em grão (+25,9%), minério de cobre (+43,6%), celulose (+2,3%), semimanufaturados de ferro e aço (+11,7%).

As retrações ocorrem em todos os níveis de agregação, com redução dos básicos (-23,6%), dos manufaturados (-11,3%) e dos semimanufaturados (-2,5%). Queda generalizada também é o que se verifica nos principais destinos de nossas exportações: China (-31,6%), Estados Unidos (-5,7%), Argentina (-15,6%), União Europeia (-14,2%), África (-21,0%) e Europa Oriental (-34,0%).

Nas importações, permanece o declínio em todos os agregados: bens de capital (-12,3%), matérias-primas e produtos intermediários (-12,5%), bens de consumo (-13,0%), combustíveis e lubrificantes (-32,3%). Quedas nas compras de bens de capital se traduzem em menos investimentos e redução das aquisições de matérias-primas significam menor produção, cujas consequências são menos consumo e menos empregos. Confirma-se assim o quadro recessivo da economia doméstica.

Em vista do quadro de retração da economia brasileira, o comércio exterior pode ser uma importante alternativa para a retomada do crescimento. Mas, para isso, é preciso tornar efetivas as medidas destinadas a dar suporte aos negócios, tais como assegurar a desoneração fiscal das exportações; tornar operativos os programas oficiais de financiamento e garantia; implementar medidas de facilitação além do portal único; ampliar os investimentos em infraestrutura via concessões e parcerias com o setor privado.

* Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)

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