Jonne Roriz/Estadão
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Balança comercial do Brasil tem superávit de US$ 8 bilhões em julho

Resultado se deve à queda de 35% nas importações, por causa da pandemia; agronegócio tem impedido queda maior nas exportações brasileiras

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2020 | 16h17

BRASÍLIA - Com queda de 35% nas importações por  causa da pandemia do coronavírus, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 8 bilhões em julho. Trata-se do maior saldo mensal já registrado na série histórica do Ministério da Economia, que tem início em 1989.

O superávit é registrado quando as exportações superam as importações. Quando ocorre o contrário, é registrado déficit comercial.

O resultado de julho foi mais do que o dobro registrado no mesmo mês do ano passado, quando foi positivo em US$ 2,391 bilhões. No mês passado, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) recuou 18%.  

As exportações somaram US$ 19,566 bilhões, uma queda de 2,9% ante julho de 2019. Já as importações chegaram a US$ 11,506 bilhões, um recuo de 35,2% na mesma comparação.

Na quinta semana de julho (27 a 31), o saldo comercial foi de superávit de US$ 1,797 bilhão.  

De janeiro a julho, a balança comercial acumula superávit de US$ 30,383 bilhões. O valor é 8,2% maior do que o mesmo período do ano passado. Houve um recuo de 6,4 % nas exportações e de 10,5% nas importações do período.

Em meio à pandemia, os produtos agrícolas estão impedindo uma queda maior nas exportações brasileiras. No mês passado, o setor agropecuário teve aumento de 17,3% nas exportações.  Houve queda, porém, nas vendas de produtos dos outros setores: 1,5% em indústria extrativa e 12% em bens da indústria de transformação.

Nas importações, houve recuo 6,5% na agropecuária, queda de 62,7% em indústria extrativa e de 33,6% em produtos da indústria de transformação.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, disse que as exportações brasileiras de manufaturados podem ter um desempenho melhor no segundo semestre, a depender da recuperação dos Estados Unidos e Europa.

Ele ressaltou que as vendas externas desse tipo de produto estão em queda justamente porque têm como destinos locais muito afetados pela crise provocada pela pandemia do coronavírus e que são mais impactados pela queda de renda dos consumidores, o que não ocorre com os produtos agrícolas.

“Observamos alta resiliência de nossas exportações em produtos agropecuários. Nossas exportações agrícolas vão principalmente para Ásia, que tem recuperação à frente do resto do mundo. As cadeias agrícolas foram menos afetadas pela crise e são ajudadas pelo câmbio”, analisou.  

Para Ferraz, o pior da crise “parece já ter passado”. Ele ressaltou que, nas importações, houve queda generalizada em todos os setores, devido ao fato de a economia brasileira ainda estar sob os efeitos da pandemia.

Ásia

A Ásia foi o destino de 50,6% das exportações brasileiras em julho, sendo só a China compradora de 37,9% do total exportado pelo Brasil. O resultado reflete o recuo na venda de industrializados, que vão principalmente para países como Estados Unidos, Argentina e integrantes da União Europeia, e o aumento na comercialização de agrícolas, embarcados principalmente para a Ásia.  

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, disse que o aumento dos países asiáticos na pauta exportadora é “conjuntural”  não preocupa o governo brasileiro. “A Ásia tem participação importante na pauta de comércio de todos os países. No longo prazo, as exportações para a Ásia devem voltar a representar 30 a 40% da pauta, como historicamente”, afirmou

Ferraz ressaltou que o aumento ocorre porque a Ásia se recupera da crise econômica antes de países como EUA e União Europeia e que, no segundo semestre, as vendas de industrializados deve aumentar na esteira da recuperação desses destinos. “Ainda que o câmbio também ajude na exportação de industrializados, você precisa ter pra quem vender”, completou.

Além disso, os produtos alimentares sofrem menos oscilação com a queda de renda dos consumidores, o que é diferente no caso de produtos manufaturados.

O secretário disse ainda que o objetivo do governo no longo prazo continua sendo a maior inserção da economia brasileira e um aumento “equilibrado” nas importações e exportações. “Não existe grande exportador que não seja grande importador”, completou.

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