Márcio Fernandes/Estadão
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Balança comercial em abril tem melhor resultado desde 1989

Superávit somou US$ 4,8 bi e fez o governo elevar a previsão para o saldo comercial para a faixa entre US$ 45 bi e US$ 50 bi

Rachel Gamarski e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

02 de maio de 2016 | 15h29
Atualizado 02 de maio de 2016 | 22h10

Com mais um mês de forte queda nas importações e ligeira alta nas exportações, a balança comercial brasileira registrou o melhor abril da história e fechou o mês com um superávit de US$ 4,861 bilhões. O saldo inédito de US$ 13,249 bilhões acumulados no primeiro quadrimestre do ano levou o governo a elevar a projeção para o saldo comercial de 2016, de US$ 35 bilhões para um intervalo entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões. 

Se confirmada a nova estimativa em seu limite mais otimista, esse seria o maior superávit comercial brasileiro de todos os tempos, mesmo diante da forte recessão econômica. O melhor saldo comercial de um ano fechado até hoje ocorreu em 2006, quando as vendas do País ao exterior superaram as compras em US$ 46 bilhões, na esteira de um boom de commodities, como o minério de ferro. 

“Éramos conservadores mantendo a previsão em US$ 35 bilhões, mas hoje já podemos, com muita segurança, afirmar que o saldo deste ano poderá se situar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões”, avaliou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. “Temos muita confiança de que teremos um resultado ainda mais expressivo nos próximos oito meses.” 

No mercado, há avaliações até mais otimistas para o superávit. O economista Rafael Bistafa afirmou que a estimativa da Rosenberg Associados para a balança é de um superávit de US$ 55 bilhões, com viés de alta.

 

“Nosso setor externo estava complemente desequilibrado e está se reequilibrando rapidamente, diferente do que ocorre com o quadro fiscal”, disse, ressaltando a necessidade de se observar o comportamento do câmbio. “Os números da balança estão vindo até um pouco mais fortes do que esperávamos, mas, como o real deu uma apreciada nas últimas semanas, vamos aguardar.”

O próprio Armando Monteiro admitiu que o superávit recorde no primeiro quadrimestre foi condicionado a uma queda acentuada nas importações. As compras do exterior em abril chegaram a US$ 10,513 bilhões, queda de 28,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as importações de US$ 42,699 bilhões são 32,2% inferiores às dos primeiros quatro meses de 2015. 

Para Monteiro, embora as exportações de US$ 55,948 bilhões no quadrimestre sejam 3,4% inferiores na comparação anual, o crescimento de 1,4% em abril - com vendas US$ de 15,374 bilhões - mostraria que todos os setores da exportação apresentaram incremento expressivo no período, apesar das quedas nos preços no comércio internacional.

“O desempenho da balança comercial brasileira tem um aumento de volume maior do que a média mundial”, disse Monteiro. “Há queda no comércio global e, neste contexto, a posição do Brasil é positiva nas exportações.”

Como exemplo, o secretário de Comércio Exterior da pasta, Daniel Godinho, destacou que os embarques de soja em grão no mês passado também foram os maiores da história do País, chegando a 10,1 milhões de toneladas. O recorde anterior havia sido em junho de 2015, quando totalizaram 9,8 milhões de toneladas. “O recorde ocorre mesmo em cenário de queda significativa nos preços da soja, com redução de 9,5% em abril.” / COLABOROU GABRIELA LARA

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