Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Balança comercial fecha 2020 com superávit de US$ 51 bilhões

Importações registraram queda de 9,7%, ocasionada pela demanda interna menor devido à covid; já as exportações recuaram 6,1%, desempenho que não foi pior graças ao setor agropecuário, cujas vendas subiram 6%

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2021 | 15h55
Atualizado 04 de janeiro de 2021 | 19h57

A venda de produtos agropecuários para o exterior evitou um tombo maior nas exportações brasileiras e fez com que o Brasil terminasse o ano de 2020 com um saldo comercial de US$ 51 bilhões. O valor representa uma alta de 6,2% em relação ao resultado da balança comercial de 2019.

No ano passado, a pandemia do coronavírus afetou mais as importações do que as exportações. De um lado, as compras de produtos do exterior caíram 9,7%, com a demanda interna reduzida e a economia em queda. Do outro, as exportações caíram 6,1%, principalmente por causa da retração nas compras por países como Estados Unidos, Argentina e da União Europeia, também reflexo do surto de covid-19 no mundo todo.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, as exportações somaram US$ 209,9bilhões no ano passado e, as importações, US$ 158,9 bilhões. No geral, a pandemia levou a um recuo de 7,7% na corrente de comércio do Brasil com os demais países, incluindo vendas e compras do exterior.

Nas importações, houve recuo de 3,9% nas compras de produtos agropecuários, de 7,7% em produtos da indústria de transformação e 41,2% na indústria extrativa, este último impactado pela queda do preço de petróleo. Nas exportações, o desempenho não foi pior graças ao setor agropecuário, cujas vendas subiram 6% em 2020. Houve queda de 2,7% nas vendas da indústria extrativa e de 11,3% em produtos da indústria de transformação

Para este ano, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia espera uma alta de 3,9% no saldo da balança comercial em 2021, com aumento de exportações e importações. A expectativa é de que o saldo comercial encerre o ano no azul em US$ 53 bilhões, e que  as exportações cresçam 5,3% em 2021 e as importações, 5,8%.

O secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, disse que a recuperação deve se dar em todos os setores, mas destacou a alta esperada na venda de produtos industrializados. “Entendemos que com o passar da pandemia o Brasil deve voltar a recuperar mercado em destinos de produtos manufaturados, como EUA e União Europeia”, afirmou.

Em 2020, os produtos agropecuários representaram 21,6% do total exportado pelo Brasil, ante 19,1% no ano anterior. Os produtos industrializados responderam pela maior fatia, 54,7%,  mas perderam participação em relação ao ano anterior, quando foi de 58%.

Ele destacou que, em 2020, a “resiliência” das exportações brasileiras  se deu por conta da recuperação da Ásia, principalmente da China, mercados consumidores dos produtos agropecuários brasileiros.

Apesar dos atritos do governo Jair Bolsonaro com a China ao longo do ano, o país asiático continuou sendo o principal parceiro comercial brasileiro em 2020 e ganhou ainda mais participação: do total vendido para o exterior, 33,4% foi para a China, ante 29,2% em 2019. A fatia dos Estados Unidos, o segundo maior parceiro do Brasil, foi reduzida: passou de 13,2% em 2019 para 10,8% no ano passado.

Para o economista da 4E Consultoria Bruno Lavieri, a tendência é de superávits em 2021 inferiores aos do ano passado, quando os fluxos de importação foram afetados em cheio por fechamento da economia e valorização pesada do dólar.

Dezembro

Em dezembro, a balança comercial brasileira registrou déficit comercial de US$ 42 milhões.  As importações registraram aumento de 39,9%, influenciadas pela nacionalização de cinco plataformas de petróleo no valor de US$ 4,7 bilhões. “Sem plataformas, haveria superávit comercial no mês de dezembro, como é sazonalmente”, afirmou o subsecretário de Inteligência e Estatística de Comércio Exterior, Herlon Brandão. / COLABOROU EDUARDO LAGUNA

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