Balança comercial fecha 2021 com resultado positivo de US$ 61 bilhões, recorde histórico

Balança comercial fecha 2021 com resultado positivo de US$ 61 bilhões, recorde histórico

Crescimento marca o maior saldo positivo já registrado em um ano; resultado é 21,1% superior à 2020

Lorenna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2022 | 15h31
Atualizado 03 de janeiro de 2022 | 21h24

BRASÍLIA  - As exportações brasileiras superaram as importações em 2021, que fechou com um saldo positivo de US$ 61 bilhões, o maior já registrado em um ano. Mas, com o aumento do dólar e a compra de combustíveis e energia elétrica em meio à crise hídrica, o nível de importações surpreendeu e frustrou as previsões do governo. O saldo ficou abaixo da projeção do Ministério da Economia divulgada no início de dezembro, de superávit de US$ 70,9 bilhões. 

De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior, o resultado da balança comercial de 2021 foi 21,1% superior ao de 2020, quando houve superávit de US$ 50,4 bilhões. Ainda em setembro, o saldo acumulado em 2021 já havia batido o valor recorde anual, US$ 56 bilhões, de 2017.

No ano passado, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) avançou 35,8%. As exportações somaram US$ 280,394 bilhões (alta de 34% na comparação com o ano anterior).

Um dos destaques das exportações foi o minério de ferro, com alta de quase 73% embalada pelos preços e pela recuperação de países consumidores, principalmente China.

Já as importações chegaram a US$ 219,386 bilhões em 2021 (alta de 38,2%). O crescimento das importações em 2021 está relacionado também às compras de itens como vacinas e insumos industriais. 

“Tivemos surpresa positiva nas importações. Há correlação de aumento das importações e recuperação da economia brasileira”, afirmou o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz.

No ano, houve crescimento de 62,4% nas exportações da indústria extrativa, de 26,3% em produtos da indústria de transformação e de 22,2% em agropecuária, que enfrentou quebras de safra.

Já nas importações, dobraram as compras da indústria extrativa, e houve alta de 35,1% em produtos da indústria de transformação e 30,2% em agropecuária.

O economista Livio Ribeiro, sócio da consultoria BRCG e pesquisador associado da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressalva que o resultado positivo da balança comercial tem a ver com a alta dos preços, principalmente de minério de ferro e de soja, e não com a maior quantidade de bens vendidos ao exterior. Enquanto o valor das exportações brasileiras subiu 29,9% até novembro, o volume de produtos exportados subiu apenas 2,8% (os dados sobre os volumes ainda não foram consolidados para todo o ano).

Além disso, nos últimos meses do ano, o preço do minério de ferro teve uma redução, o que levou a um resultado mais fraco do que o esperado. “Se por um lado, a gente teve um saldo comercial relativamente alto na história recente brasileira, por outro, é inequívoco que houve certa frustração, principalmente nos últimos quatro meses do ano”, afirma.

Previsão para 2022

Para 2022, a Secex prevê um saldo comercial de US$ 79,4 bilhões, o que representaria um aumento de 30% em relação ao resultado recorde de 2021. 

Apesar das projeções otimistas do governo, o cenário pode não ser tão favorável. Segundo economistas, a redução dos preços das commodities, responsáveis em grande parte pelo recorde das exportações em 2021, deve levar o saldo comercial brasileiro de volta ao patamar de dois anos atrás, já que as importações devem seguir em alta apesar da perda de ritmo da atividade econômica.

Para Alexandre Lohmann, economista da Constância Investimentos, a diferença das exportações em relação às importações deve recuar para algo próximo a US$ 50 bilhões em 2022. “Tivemos uma boa notícia com a divulgação dos US$ 61 bilhões em superávit de 2021, mas, na segunda metade deste ano, devemos ter uma redução dos preços das matérias-primas”, afirmou. / COLABORARAM EDUARDO LAGUNA E FILIPE SERRANO

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Brasil precisa aumentar corrente de comércio em 2022; leia análise de Sergio Vale

'Exportar mais é apenas uma parte da equação', escreve o economista-chefe da MB Associados

Sergio Vale*, O Estado de S. Paulo

03 de janeiro de 2022 | 19h27

O ano de 2021 para o setor externo foi bastante positivo. Apesar da quebra de safra que se viu no agro, as exportações do setor foram muito favoráveis, o mesmo valendo para a indústria extrativa. O resultado poderia ter sido ainda melhor, como se esperava no começo do ano, salvo os números fortes que vieram das importações com a recuperação da economia. Não era incomum ouvirmos projeções de balança entre US$ 80 e 100 bilhões no começo do ano passado.

Para 2022, o cenário tende a voltar a uma expectativa mais positiva novamente. Com forte recuperação da produção agro, câmbio ainda muito favorável e preços de commodities ainda elevados, o saldo da balança comercial pode ficar na casa dos US$ 80 bilhões. Especialmente pela fraqueza esperada das importações, com crescimento doméstico mais fraco e câmbio elevado.

Mas o que ainda salta aos olhos na balança comercial é a baixa corrente de comércio. A soma das importações e exportações sobre o PIB em 2021 alcançou parcos 31%, número dentre os mais baixos comparado com outros mercados emergentes e ainda mais distante comparado com os países desenvolvidos.

Exportar mais é apenas uma parte da equação. Aumentar a corrente de comércio é algo que virá com amplos acordos comerciais que permitam que o fluxo de comércio se intensifique. Isso será essencial se quisermos aumentar a competitividade da indústria. Defender o excessivo grau de protecionismo que o país enfrenta no setor até hoje é se dizer responsável importante pelo baixo nível de produtividade da economia.

Que em 2022 o governo continue costurando acordos comerciais com muito mais países e siga em negociação para destravar o da União Europeia. Esse acordo seria um marco importante se quisermos ampliar nossa capacidade comercial.

* Economista-chefe da MB Associados

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