Márcio Fernandes/ Estadão
Márcio Fernandes/ Estadão

Balança comercial fica no azul em US$ 2 bilhões em outubro, metade do que no mesmo mês em 2020

O resultado é o menor para o mês desde 2015, segundo a Secretaria de Comércio Exterior; no ano, o superávit é de US$ 58,579 bilhões

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 15h35
Atualizado 03 de novembro de 2021 | 16h35

BRASÍLIA - Com as exportações crescendo em ritmo mais lento do que as importações, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2 bilhões em outubro, o menor resultado para o mês desde 2015, informou nesta quarta-feira, 3, a Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia.

O superávit em outubro ficou 54,5% menor do que o registrado em outubro de 2020, quando alcançou US$ 4,4 bilhões. 

No mês passado, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) avançou 39,3%. As exportações somaram US$ 22,520 bilhões, com alta de 27,6%, e as importações chegaram a US$ 20,516 bilhões, com avanço de 54,9%.

A desaceleração no crescimento das exportações em outubro foi influenciada pelo recuo de preços do minério de ferro, pelo veto à carne brasileira pela China após o registro de dois casos de doença da vaca louca, e pelos embarques menores de produtos como milho e café por conta da quebra de safra registrada neste ano por questões climáticas.   

Segundo o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, houve redução de 90% no volume embarcado de carne bovina para a China e uma queda de 38,5% nas exportações totais do produto. Por outro lado, houve alta nas vendas de soja (36% no volume). 

Já  a alta nas importações brasileiras ocorrida em outubro se deu, principalmente, pelo aumento do preço dos produtos comprados do exterior. No mês passado, o preço dos bens importados subiu 23,5% em relação a outubro do ano passado, enquanto o volume cresceu 19,6%. 

Segundo Brandão, isso ocorre por fatores sazonais, já que, em outubro, intensificam-se as encomendas para o fim do ano. “Até o mês passado, o volume crescia mais que o preço. Outubro foi o contrário. É natural com o aumento do consumo, retomada da economia, famílias consumindo mais bens industrializados e o aumento de commodities e insumos para a produção”, completou. As importações crescem principalmente da China (54,3%), Estados Unidos (65,7%) e Argentina (50,7%). 

De janeiro a outubro, a balança comercial acumula superávit de US$ 58,579 bilhões, 29,6% maior do que no mesmo período do ano passado. Houve um aumento de 36,0 % nas exportações e de 38,3% nas importações do período.

Em outubro, houve crescimento de US$ 20,85 milhões US$ 27,09 milhões ( 19,4%) em agropecuária; crescimento de US$ 90,18 milhões ( 40,5%) em indústria extrativa e crescimento de US$ 125,98 milhões ( 24,4%) em produtos da indústria de transformação.

Nas importações, houve crescimento de US$ 7,9 milhões ( 45,1%) em agropecuária; crescimento de US$ 26,69 milhões ( 141,7%) em indústria extrativa e crescimento de US$ 317,41 milhões ( 51,4%) em produtos da indústria de transformação. 

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