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Balança comercial registra o maior superávit para o mês de janeiro desde 2007

Resultado ficou positivo em US$ 923 milhões no primeiro mês do ano; saldo é o primeiro a registrar superávit em meses de janeiro em cinco anos

Bernardo Caram e André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2016 | 15h15
Atualizado 01 Fevereiro 2016 | 16h41

BRASÍLIA - A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 923 milhões em janeiro, resultado de exportações de US$ 11,246 bilhões e importações de US$ 10,323 bilhões. O resultado é o melhor para o mês desde 2007, quando o saldo ficou positivo em US$ 2,523 bilhões, e também o primeiro superávit para meses janeiro dos últimos cinco anos. Os números foram divulgados nesta segunda-feira, 1, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Com relação às expectativas de mercado, o resultado de janeiro ficou dentro, mas próximo ao teto, do que foi apontado por instituições financeiras.

O diretor do MDIC, Herlon Brandão, afirmou que o resultado da balança comercial de janeiro está dentro do que é esperado para o ano. Segundo ele, o MDIC estima que País vai fechar 2016 com um superávit comercial de US$ 35 bilhões.

O diretor disse que o patamar do dólar, que teve taxa média de R$ 3,34 em 2015, certamente será superior em 2016. "Vai favorecer a exportação e encarecer as importações", afirmou.

De acordo com Brandão, o mês de janeiro apresentou aumento na quantidade exportada (8,4%), ao mesmo tempo que houve queda nos preços (-20,4%). Pelo lado das importações, houve retração tanto na quantidade (-26,7%) quanto nos preços (-12,4%).

O técnico usou como exemplo os baixos preços do minério de ferro, que chegaram em janeiro a US$ 26,2 por tonelada, o menor nível desde março de 2005. O valor do barril do petróleo em bruto chegou a US$ 30,7, valor mais baixo desde março de 2009.

Conta petróleo. Brandão destacou ainda que a conta petróleo apresentou em janeiro um superávit de US$ 394 milhões em janeiro, contra um déficit de US$ 685 milhões no mesmo mês de 2015. Segundo ele, o resultado foi pontual. "Esperamos redução do déficit da conta petróleo", disse, destacando que o País deve continuar com aumento da produção e das exportações, além de continuar a queda das importações. 

Ele informou que em janeiro houve um recuo de 60,6% na importação de combustíveis lubrificantes. A queda pode ser atribuída ao menor uso de termoelétricas e à desaceleração da economia.

Veículos. Entre os destaques de exportação, estão os veículos, cujas vendas externas apresentaram crescimento em quantidade de 98% em janeiro. No total, foram exportadas 29 mil unidades no mês passado, contra 14,7 mil em janeiro de 2015. 

A alta pode ser atribuída, principalmente, a um crescimento de 163,5% das vendas para a Argentina e de 101% para o México.

2016. Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o resultado da balança comercial em janeiro indica que o País terá um novo saldo positivo em 2016, maior que o de 2015. No entanto, ele pondera, a recessão continuará sendo o principal motivo do saldo, com queda maior das importações em relação às exportações. "Tenho dito que teremos um superávit 'negativo'", disse.

Opresidente da AEB faz um exercício de projeção para sustentar a sua aposta. "Se multiplicarmos a média diária das importações de janeiro, em US$ US$ 516 milhões, pelos 251 dias úteis de 2016, teremos algo em torno de US$ 129 bilhões. Se as exportações de 2016 se mantiverem no patamar de 2015, em US$ 191 bilhões, teremos um saldo positivo de US$ 62 bilhões. No entanto, será um superávit gerado pela queda da atividade econômica", afirmou.

"Se o problema do Brasil fosse falta de divisa, esse superávit seria ótimo. Mas não é, já que temos reservas internacionais em torno de US$ 375 bilhões. Nosso problema é atividade econômica. Não haverá melhora da balança comercial se não houver melhora da atividade econômica", disse Castro. 

Metodologia. A partir deste mês, o MDIC passa a adotar nova metodologia para a análise de dados da balança comercial. As mudanças não alteram valores de exportação, de importação e, consequentemente, do saldo comercial. A partir de agora, contudo, o MDIC vai utilizar a Classificação por Grandes Categorias Econômicas (CGCE) para fazer a análise dos dados, ao invés da Classificação Segundo o Uso e Destino Econômico (CUODE), que não tinha comparabilidade internacional.

As estatísticas comerciais divulgadas no site do MDIC já estão no novo modelo. A Secex também disponibilizou uma série história desde 1997, na metodologia CGCE, para que os usuários consigam fazer comparações utilizando a mesma base de informações.

A principal mudança é a forma como as categorias de produtos "bens de consumo", "bens intermediários" e "bens de capital" são divididos. Na prática, as alterações serão as seguintes: produtos classificados como "peças e partes de bens de consumo" e "peças e partes de bens de capital" serão agora incluídos dentro de "bens intermediários" e não mais em "bens de consumo" e "bens de capital", respectivamente.

Além disso, houve a mudança na distribuição de países dos "Blocos e Países". A mudança mais significativa é extinção do bloco "Europa Oriental". Os países que faziam parte dele foram redistribuídos para a Ásia e Europa.

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