Balança comercial: superávit aumenta, mas intercâmbio cai

Alteração do quadro recessivo só virá com a redução de custos com as reformas fiscais e investimentos em infraestrutura

José Augusto de Castro*, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2016 | 22h24

A balança comercial até outubro apresenta superávit recorde em 28 anos, o que deveria deixar a todos animados. Mas a realidade é que esse resultado foi obtido em razão de queda no comércio, com redução acumulada de 5,1% nas exportações e de 23,1% nas importações, e tombo de 10,2% e 15%, respectivamente, no mês de outubro. Bom para as contas externas, mas indicador de que a recessão da economia brasileira permanece forte.

A recessão se traduz na contração da demanda (consistente com a queda de 4,1% nas importações de bens intermediários), na retração de investimentos (revelado pela diminuição de 19,9% nas aquisições de máquinas e equipamentos), na redução da renda e do consumo das famílias (compatível com a redução de 13,3% nas compras de bens de consumo) e na queda no consumo de energia (coerente com o declínio de 52,8% nas importações de combustíveis e lubrificantes) em outubro. Pelo lado das exportações, houve queda em todos os segmentos (-18,6% nos básicos, -0,4% nos semimanufaturados e 4% nos manufaturados). Já no acumulado do ano, o único segmento que apresentou crescimento foi o de semimanufaturados (3,5%), em função de elevação das cotações de açúcar. Os básicos recuaram 10% e os manufaturados, 1,6%.

A continuidade do quadro recessivo nos leva a manter as projeções para o ano, já divulgadas pela AEB, de exportações de US$ 182 bilhões e importações de US$ 140 bilhões, com superávit de US$ 42 bilhões. Para a AEB, a alteração do quadro recessivo só virá com a redução de custos com as reformas tributária, trabalhista e previdenciária, e investimentos em infraestrutura, principal estímulo às exportações. Precisamos exportar para crescer!

*Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)

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