Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Soja impulsiona exportações e balança comercial tem superávit de US$ 4 bilhões em fevereiro

Resultado é o maior para o mês desde 2017 puxado pela alta de 32% das exportações; vendas de soja, trigo, centeio e café tiveram altas expressivas no mês

Lorenna Rodrigues e Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2022 | 16h30
Atualizado 04 de março de 2022 | 12h59

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Impulsionadas pelas vendas em alta de grãos, especialmente soja, e ainda sem refletir os eventuais impactos do conflito no Leste Europeu, as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 4,049 bilhões em fevereiro. O valor é o maior resultado para o mês desde 2017, mais do que o dobro do registrado no mesmo mês de 2021, quando alcançou US$ 1,836 bilhão.

Tanto exportações quanto importações bateram recorde em fevereiro. As vendas somaram US$ 22,913 bilhões em fevereiro  (+32,6%). Já as compras do exterior chegaram a US$ 18,863 bilhões (+22,9%). Depois de um déficit em janeiro, no primeiro bimestre, a balança comercial acumula superávit de US$ 3,835 bilhões.

“Houve aumento de preços e volume embarcados em fevereiro, principalmente de bens agropecuários”, disse o subsecretário de Inteligência e Estatística da Secretária de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão.

Destaque para o crescimento das exportações de soja (+ 187,5% pela média diária), trigo e centeio (+874%) e café não torrado (+ 89,7%). O aumento no volume de soja exportado pelo Brasil em fevereiro porque a safra do grão foi plantada e colhida mais cedo, por questões climáticas.

Conflito

Principal produto importado pelo Brasil, a compra de adubos e fertilizantes, que tem como maior fornecedor a Rússia, caiu 7,1% no mês passado. O recuo, no entanto, ainda não é atribuído à guerra contra a Ucrânia, iniciada pelos russos na semana passada - contratos já estavam fechados e já foram embarcados produtos que ainda estão chegando no País, já que o transporte da Rússia para o Brasil dura em média 20 dias.  

Por conta desse prazo de transporte, Brandão disse que não é esperado um impacto de “curto prazo” na importação de fertilizantes por conta da guerra da Rússia contra a Ucrânia. “Não houve tempo ainda para ter qualquer efeito direto do conflito nas importações brasileiras”, afirmou Brandão.

O subsecretário evitou fazer previsões de como o comércio exterior brasileiro será impactado pela guerra. “Incertezas ainda são muito grandes. Temos que esperar mais um pouco para ver como isso vai se desenrolar”, disse. Brandão ressaltou que o comércio direto com a Rússia e a Ucrânia é relativamente pequeno -  foi de US$ 7,7 bilhões em 2021, apenas 1,5% do total.

Já o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ponderou que os dados comerciais de fevereiro retratam um cenário de “pré-guerra” e não servem como base para projeção de futuro.

Ele ressalta que o volume de toneladas de soja embarcadas deve recuar daqui para o final do ano e haverá ainda os impactos da guerra pressionando para baixo. Prevendo isso, a maioria das empresas de exportação e importação, segundo Castro, já está renegociando contratos com o único objetivo de minorar as inexoráveis perdas a caminho.

“Sem o Swift (sistema de comunicação interbancária que sustenta as transações globais), quem vai garantir que o exportador vai receber pelos produtos entregues?”, questiona Castro.

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