Clayton de Souza|Estadão
Clayton de Souza|Estadão

Câmbio e recessão levam balança comercial ao maior saldo desde 2011

Brasil fechou 2015 com um saldo comercial de US$ 19,68 bi, acima do previsto; resultado foi puxado pela queda de importações

Bernardo Caram e Rachel Gamarski, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2016 | 15h34

Texto atualizado dia 05/01/2016 às 7h

BRASÍLIA - Em meio à recessão econômica, a balança comercial brasileira encerrou 2015 com saldo positivo de US$ 19,7 bilhões. O resultado, explicado por uma retração mais forte nas importações, é o melhor registrado desde 2011, conforme divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

O resultado surpreendeu a maioria dos analistas de mercado. Levantamento feito pela Agência Estado com 18 instituições financeiras apontava para resultado positivo de US$ 14,6 bilhões a US$ 19,9 bilhões.

O que mais surpreendeu os analistas foi o resultado de dezembro. No mês, a balança comercial registrou superávit de US$ 6,2 bilhões, o melhor resultado mensal desde 1989, quando começou a série histórica. 

O forte superávit foi consequência do aumento disseminado das exportações. A venda dos bens básicos subiu 5,3%, influenciada por petróleo bruto, milho e minério de ferro. As exportações de bens manufaturados aumentaram 3%, excluindo a venda de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 818 milhões. No entanto, em relação ao mês de 2014, houve recuo de 4% nas exportações por causa do número de dias úteis.

Expectativa para 2016. Considerando o saldo superavitário do ano passado, houve aumento de US$ 24 bilhões em relação aos US$ 4 bilhões de déficit em 2014. As exportações somaram US$ 191 bilhões (ante US$ 225 bilhões de 2014), enquanto as importações totalizaram US$ 171 bilhões (no ano anterior, tinham fechado em US$ 229 bilhões). Os dois resultados são os menores desde 2009. A corrente de comércio brasileira teve uma expressiva queda de US$ 454 bilhões para US$ 362 bilhões. 

Para 2016, a expectativa do governo é de superávit de US$ 35 bilhões, comportamento que deve continuar sendo influenciado pela alta do dólar e pelo ritmo mais lento da demanda doméstica.

Preços em queda. A queda no valor das exportações é explicada pelos preços mais baixos das commodities (matérias-primas) e pela atividade ainda fraca dos principais parceiros comerciais brasileiros. Já em relação às exportações, houve recuo em todas as categorias, sendo a maior de combustíveis (44% em relação a 2014). 

De acordo com o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Daniel Godinho, mesmo com o maior volume exportado da história do comércio exterior brasileiro, os preços dos produtos exportados tiveram forte queda. Em 2015, o volume embarcado cresceu 10,1% na comparação com 2014, enquanto os preços caíram em média 21,9%. “Nas exportações, o aumento de volume foi mitigado pela queda dos preços”, afirmou. Já nas importações, houve retração tanto nos volumes comprados quanto nos preços.

Na avaliação do economista especializado em setor externo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lívio Ribeiro, a melhora no saldo anual da balança, que saiu de déficit em 2014 para superávit em 2015, se deve mais ao colapso da economia local, que passou a importar bem menos, do que à desvalorização do real em relação ao dólar. “A depreciação do câmbio também ajudou, uma vez que torna o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional, mas foi só um ponto a mais”, disse.

Para o secretário do MDIC, há sinais do impacto positivo da valorização do câmbio em alguns setores, como os de automóveis e têxteis, mas é preciso esperar para ver se os efeitos serão permanentes. “Esses fatores são tempo e estabilização do patamar cambial. Precisamos esperar”, destacou. / COLABOROU ANDRÉ ÍTALO ROCHA

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