Itamar Miranda/AE
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Balança comercial tem pior novembro em 4 anos

Saldo foi de US$ 3,43 bi no mês, reflexo da crise argentina e da queda na demanda chinesa; venda de carne bovina foi destaque

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2019 | 04h00

BRASÍLIA - Com a crise na Argentina e a queda na demanda chinesa por soja, a balança comercial brasileira registrou em novembro o pior saldo em quatro anos, fechando o mês em US$ 3,43 bilhões. 

Quando as exportações superam as importações, o resultado é superavitário. Se acontecer o contrário, o resultado é de déficit. “São três anos de crises do terceiro maior parceiro comercial do Brasil, isso tem impacto, principalmente, em automóveis”, afirmou o subsecretário de Inteligência e Estatística da Secex, Herlon Brandão.

Em novembro, a carne bovina foi o produto da pauta de exportações brasileira que apresentou o maior crescimento de vendas. No período, o preço do produto no mercado doméstico aumentou, o que provocou reclamações e até relatos de desabastecimento.

Houve aumento de 45% no valor exportado de carne bovina, que somou US$ 756 milhões. “É uma questão de oferta e demanda, demanda externa pela carne bovina, e os preços no mercado internacional estão aquecidos”, afirmou Brandão.

No ano, o saldo comercial acumula US$ 41,08 bilhões, também o pior resultado desde 2015. Para Brandão, o valor do saldo comercial em 2019 poderá ultrapassar a previsão do governo, de US$ 41,8 bilhões.

Já o economista-chefe do Haitong, Flávio Serrano, diz que o cenário é de queda das exportações e deterioração do saldo comercial do País. “Há um processo natural de estreitamento do superávit comercial, com queda nas exportações por causa da desaceleração global e alta nas importações pela recuperação da economia brasileira.”

Erro

O recuo nas exportações, de 7,2% de janeiro a novembro, só não foi pior porque o governo descobriu uma falha no sistema. Um erro de programação do sistema do Serpro levou a uma contabilização menor dos dados de exportação. Depois de corrigir os valores de novembro na semana passada – com impacto na cotação do dólar –, o órgão retificou ontem os dados de setembro e outubro. Em setembro, o valor exportado passou de US$ 18,92 bilhões para US$ 20,29 bilhões. Em outubro, de US$ 18,23 bilhões para US$ 19,58 bilhões.

Em novembro, o montante já tinha sido aumentado em US$ 3,77 bilhões. Após a correção, o volume de exportações aumentou US$ 6,49 bilhões no total, 3% do valor exportado no ano.

“A coleta dos dados estava certa, os exportadores continuam declarando as informações sem problema e o que percebemos foi um problema na transmissão de dados”, disse Saulo Guerra, coordenador-geral de Estatística da Secex.

O diretor de Desenvolvimento, Ricardo Jucá, confirmou que a origem do problema foi no órgão. Ele afirmou que houve um erro humano na programação do sistema que faz a coleta dos dados informados pelos exportadores, causado por um técnico que não seguiu as recomendações do programa. “Os erros no sistema de exportação foram identificados e corrigidos.”

Desde o início do ano, o governo usa o portal único de exportação para a operacionalização de vendas ao exterior. Com o volume de dados cada vez maior, acabou sendo detectado o erro em novembro.

Os dados dos meses anteriores a setembro foram verificados, mas não foram encontrados erros. Brandão afirmou que o governo está avaliando se houve descumprimento de obrigação por parte do Serpro e se cabe alguma penalidade. O Banco Central foi notificado e também corrigirá os dados do setor externo com os novos números. / COLABOROU CÍCERO COTRIM 

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