Márcio Fernandes/Estadão
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Balança comercial tem saldo positivo de US$ 1,5 bilhão, o menor em seis anos

Importações somaram US$ 23 bilhões em março, com uma média diária 51,7% superior ao registrado no mesmo mês de 2020

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2021 | 16h29

BRASÍLIA - A balança comercial brasileira teve um saldo positivo de US$ 1,482 bilhão em março, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. Apesar do superávit, o desempenho é o pior para o mês desde 2015, quando o saldo foi de US$ 455,5 milhões.

A piora em relação ao ano passado é fruto de um crescimento mais acelerado da média diária das importações do que nas exportações.

As aquisições vindas do exterior somaram US$ 23 bilhões em março, com uma média diária 51,7% superior ao observado em igual mês de 2020. Já os embarques para fora do País totalizaram US$ 24,5 bilhões, com alta de 27,8% na média diária na mesma base de comparação.

No primeiro trimestre do ano, a balança comercial brasileira acumula um superávit de US$ 1,6 bilhão. Esse também é o pior desempenho para o período desde 2015, quando houve um déficit de US$ 5,6 bilhões.

Apesar de um primeiro trimestre com o pior saldo comercial desde 2015, a balança deve melhorar nos próximos meses e encerrar o ano com um superávit recorde, prevê o Ministério da Economia. As estimativas apontam um saldo positivo de US$ 89,4 bilhões, o que, se confirmado, será 75% maior que o ano passado e um recorde na série histórica.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucaz Ferraz, explicou que as projeções foram atualizadas com base na perspectiva de uma vacinação contra covid-19 mais rápida em diversos países, sobretudo nos mais desenvolvidos.

Além disso, o pacote fiscal de estímulo aprovado pelos Estados Unidos, no valor de US$ 1,9 trilhão, deve impulsionar o crescimento da economia americana e gerar efeitos positivos para outros países, entre eles o Brasil. O cenário de juros baixos também contribui para a melhora no saldo comercial.

Na previsão do início do ano, o governo projetava um superávit de US$ 53 bilhões para 2021. Na nova estimativa, tanto o desempenho das exportações quanto das importações melhoraram. Os técnicos esperam exportações de US$ 266,6 bilhões e importações de US$ 177,2 bilhões.

Ferraz disse que a corrente de comércio já vem melhorando desde o terceiro trimestre de 2020, na esteira da recuperação da economia doméstica e mundial.

Mais recentemente, houve incremento nas estimativas de exportação de soja. Na projeção de janeiro, os técnicos ainda não haviam incorporado o cenário de safra recorde do grão. Além disso, tem havido pressão nos preços de commodities vinda do crescimento mais expressivo de economias importantes como China de EUA.

Ferraz admitiu que há um risco de uma nova onda de covid-19, inclusive pelo surgimento de novas variantes, mas avaliou que isso não deve alterar de maneira significativa as projeções para o comércio exterior.

"Mesmo supondo que haja nova variante que retarde mais o processo (de recuperação), ou agrave mais a pandemia, e ela está no Brasil num estágio bastante sensível, entende-se que uma (eventual) nova onda global não deve trazer tanto impacto às economias", disse o secretário.

"Hoje, após o aprendizado dos governos com pandemia, a tendência é que as políticas públicas sejam mais focadas em setores como serviços, menos em produtores de bens. Temos um quadro mais focado e menos desnecessariamente agressivo de restrições", acrescentou. Para ele, também contribui para isso o aprendizado dos consumidores, que estão cada vez mais digitalizados.

O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, também ressaltou que o desempenho da balança comercial no primeiro trimestre tem sido muito afetado por operações contábeis de importação de plataformas de petróleo. Só em março, esse efeito foi de US$ 5,8 bilhões. Sem essas operações, o saldo da balança já estaria maior.

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