Tiago Queiroz/Estadão - 20/7/2018
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Balança comercial tem superávit de US$ 1,152 bilhão em fevereiro

Resultado é metade do valor registrado no mesmo mês de 2020 e é o menor saldo para fevereiro desde 2015

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 15h40
Atualizado 01 de março de 2021 | 18h48

BRASÍLIA - Com a importação de insumos para a produção nacional em alta e exportações crescendo mais devagar por causa da entressafra agrícola, a balança comercial brasileira fechou o mês de fevereiro com superávit de US$ 1,152 bilhão, o menor saldo para o mês em sete anos. O valor é metade do registrado em fevereiro de 2020, quando havia sido positivo em US$ 2,325 bilhões.

De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) avançou 8,2%. As exportações foram de US$ 16,183 bilhões, uma alta de 3,9% ante fevereiro de 2020. Já as importações chegaram a US$ 15,030 bilhões, um avanço de 13,4% na mesma comparação.

 Depois de segurar as vendas ao exterior em 2020, o setor agropecuário teve queda de US$ 15,38 milhões (-10,8%) em fevereiro. Houve crescimento de US$ 31,77 milhões (13,8%) nas vendas da indústria extrativa e de US$ 17,31 milhões (3,5%) em produtos da indústria de transformação.

Já nas importações, houve aumento de US$ 2,76 milhões (14,9%) em agropecuária e de US$ 83,7 milhões ( 12,4%) em produtos da indústria de transformação e queda de US$ 570 milhões (-1,4%) em Indústria Extrativa.

 “O aumento de importações vem em um contexto de melhora da atividade econômica observado desde o segundo semestre do ano passado. Há incertezas em relação à economia, mas o comércio mundial está em patamar superior ao que estava no pré-covid. Mas ainda é difícil saber se esse aumento de importações vai se manter”, explicou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão.

Houve aumento na compra de insumos para a indústria de eletroeletrônicos e de adubos e fertilizantes. Além disso, houve a nacionalização de plataformas de petróleo em fevereiro, que somaram US$ 1,4 bilhão. A nacionalização se dá por questões tributárias, para aproveitar benefícios da legislação brasileira.  

Pelo lado das exportações, a queda nas exportações agrícolas em fevereiro se deu, principalmente, pela safra tardia de soja registrada em 2021. Já o aumento na venda de produtos da indústria extrativa foi puxado principalmente pelo aumento do preço do minério de ferro no mês.  

Segundo Brandão, a expectativa é de crescimento em 2021 tanto em exportações, quanto em importações, e de um saldo comercial “robusto”. “A exportação depende da demanda mundial e, a importação, da economia interna. Esperamos crescimento nas duas”, completou.  

Para o ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Welber Barral, o crescimento maior das importações deverá se estender ao longo do ano porque, com a retomada da economia e com os estoques baixos, a indústria está comprando insumos no exterior para aumentar a produção e recompor os estoques. “Fevereiro foi bom, apesar de o saldo da balança ter ficado 50% abaixo do saldo de fevereiro do ano passado”, disse, ressaltando que o resultado mostra a retomada da economia.

No primeiro bimestre, houve queda de 8,6% nas exportações para a União Europeia, principalmente por conta da entressafra agrícola e da redução de embarques de óleo bruto. Houve aumento de 11,2% para a Ásia, 16,5% para a América do Sul e 4,8% para a América do Norte.

Já pelo lado das importações, houve redução de 22,6% dos produtos vindos dos Estados Unidos. Isso se deve, principalmente, porque a base de 2020 estava inflada pela nacionalização de plataformas de petróleos. Houve crescimento de 25,4% da América do Sul, com aumento de cereais, farinhas, trigo e partes de veículos automotivos. /COLABOROU FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

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