DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO - 01/6/2011
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO - 01/6/2011

Com superávit em julho, balança comercial acumula saldo positivo de US$ 4,6 bi no ano

No mês passado, as exportações superaram as importações em US$ 2,379 bilhões, maior resultado para o mês desde 2012

Lorenna Rodrigues e Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 15h05

Atualizado às 16h49

A balança comercial brasileira registrou em julho um superávit de US$ 2,379 bilhões. No mês passado, as vendas ao exterior somaram US$ 18,526 bilhões e as compras de outros países totalizaram US$ 16,147 bilhões. O resultado é o maior para o mês desde 2012, quando atingiu US$ 2,863 bilhões. Em julho do ano passado, a balança teve um superávit de US$ 1,563 bilhão.

Com isso, a balança nos primeiros sete meses de 2015 acumula superávit de US$ 4,599 bilhões. As exportações somaram US$ 112,854 bilhões de janeiro a julho e as importações totalizaram US$ 108,255 bilhões. No ano passado, o período registro déficit de US$ 952 milhões.

Na quinta semana de julho (27 a 31), a balança comercial teve um superávit de US$ 518 milhões, com exportações de US$ 3,875 bilhões e importações de US$ 3,357 bilhões.

O saldo positivo em julho ficou dentro das expectativas de mercado, que apontavam para um saldo positivo de US$ 250 milhões a US$ 2,600 bilhões, de acordo com levantamento do AE Projeções com 16 instituições. Com base na análise descritiva do intervalo coletado, a mediana calculada atingiu US$ 2,300 bilhões, próximo do resultado.

Economia fraca. Nos primeiros sete meses do ano, tanto as importações como as exportações tiveram queda, resultado do desempenho mais fraco da economia. As exportações brasileiras registraram média diária de US$ 778,3 milhões de janeiro a julho, queda de 15,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a média diária das importações foi de US$ 746 milhões, recuo de 19,5% na comparação com os sete primeiros meses de 2014. 

A queda no preço internacional de uma série de produtos foi determinante para as exportações terem resultado 19,5% menor em julho, segundo o diretor de Estatística e Apoio à Exportação da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC, Herlon Brandão.

Segundo o diretor, no mês, houve redução nos preços exportados em 22%, comparado com julho de 2014, ao mesmo tempo que o período registrou crescimento de 3,2% na quantidade embarcada. "Redução é decorrente exclusivamente da redução dos preços dos produtos exportados", explicou.

Brandão afirmou que não há perspectiva de melhora nos preços internacionais de produtos exportados pelo Brasil em um horizonte curto de tempo. "Dada a instabilidade internacional, não vemos um desempenho mais robusto no curto prazo dos preços desses bens. É uma realidade que vamos ter que conviver", afirmou. 

As exportações de produtos básicos no ano até julho caíram 21,7%, para US$ 53,061 bilhões, resultado explicado pela venda menor de minério de ferro (47,4%), carne bovina (24,1%), petróleo em bruto (-21,4%) e soja em grão (-18,4%). 

Os embarques de manufaturados caíram 9,4%, para US$ 41,736 bilhões, com queda principalmente em óleos combustíveis (-60,4%), máquinas para terraplenagem (-24,7%), motores e geradores (-23,9%) e bombas e compressores (-22,2%). As exportações de semimanufaturados também caíram 5,9% nos sete primeiros meses do ano, para US$ 15,177 bilhões. As maiores quedas foram em óleo de soja (-17,9%), couros e peles (-16,6%), açúcar em bruto (-16,3%) e ferro-ligas (-14,4%). 

Houve queda das vendas externas para os principais destinos dos produtos brasileiros, entre eles Europa Oriental (-33%), União Europeia (-19,3%), Ásia (-18,2%, sendo -19,4% para a China) e Mercosul (-16,1%).

No acumulado de janeiro a julho, caíram as compras de combustíveis e lubrificantes (-40,9%), matérias-primas e intermediários (-15,5%), bens de capital (-15,1%) e bens de consumo (-13,5%). 

Brandão disse que a previsão do órgão é de a balança comercial encerrar o ano com superávit de entre US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões. Ele ressaltou que, pelo lado das exportações, o impacto da valorização do dólar ainda é pontual e é difícil mensurar o reflexo no agregado da balança. "São muitos fatores que influenciam, temos que ter um horizonte de mais longo prazo para mensurar", completou.

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