MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Balança comercial tem superávit de US$ 2,9 bilhões em setembro

A desvalorização do real e a queda das importações por causa da economia mais fraca ajudam a impulsionar o resultado, o melhor para o mês desde 2011

Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2015 | 15h51

Atualizado às 18h30

A balança comercial registrou em setembro superávit de R$ 2,944 bilhões. As exportações somaram US$ 16,148 bilhões e as importações, R$ 13,204 bilhões. O resultado de setembro é o melhor para o mês desde 2011, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No ano, a balança acumula superávit de US$ 10,246 bilhões.

As exportações brasileiras registraram média diária de US$ 769 milhões em setembro, queda de 13,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. Já as importações registraram média diária de US$ 628,8 milhões, com retração de 32,7%.

Segundo o ministro Armando Monteiro, o MDIC já trabalha com a hipótese de um superávit de US$ 15 bilhões para a balança comercial brasileira em 2015. Para 2016, a estimativa do ministro é que esse saldo supere os US$ 25 bilhões, também impulsionado pelo câmbio. "Já é possível imaginar esse patamar (US$ de 15 bilhões), o que é um resultado fantástico, já que no ano passado tivemos um déficit de US$ 4,5 bilhões na balança", disse. 

O diretor de Estatística e Apoio à Exportação do MDIC, Herlon Brandão, afirmou que o desaquecimento da economia neste ano é o principal responsável pela forte queda nas importações do País, o que impactou a balança comercial de setembro.

O dólar, que acumula valorização de quase 50% em 2015, também contribui, embora a queda do preço das commodities acabe pesando contra. De acordo com Brandão, ainda é cedo para definir de forma clara qual o impacto da alta do dólar na balança comercial. Ele ressaltou, entretanto, que a variação do câmbio observada nos últimos meses encarece a importação. "A tendência é diminuir", disse.

A maior parte do saldo comercial acumulado deste ano, de US$ 10,246 bilhões, foi puxada pelo resultado da conta petróleo, que reduziu seu déficit em US$ 9,3 bilhões de janeiro a setembro, comparado com o mesmo período de 2014. O déficit da conta foi de US$ 12,9 bilhões em 2014 para US$ 3,6 bilhões em 2015. "Já era esperada essa contribuição da conta petróleo para o saldo da balança", disse Brandão.

O diretor ressaltou ainda que setembro teve o primeiro crescimento mensal de exportações para a China em 2015. No mês, houve alta de 22% nas exportações para os chineses, na comparação com setembro de 2014. Grande parte da alta foi motivada pelo embarque de uma plataforma de petróleo no valor de US$ 394 milhões. Sem esse produto, o saldo positivo teria registrado crescimento de 3,7%.

Produtos. O resultado das exportações é explicado, entre outros fatores, pela retração dos embarques de básicos (-19,6%, com R$ 7,163 bilhões), seguido de semimanufaturados (-12,2%, com R$ 2,227 bilhões) e manufaturados (-4,6%, com R$ 6,330 bilhões).

No grupo de básicos, as maiores quedas ficaram com minério de ferro (-40,4%), petróleo em bruto (-37,8%) e algodão em bruto (-35,2%). Entre os manufaturados, caíram os embarques de açúcar refinado (-33,7%), máquinas para terraplenagem (-28%) e medicamentos (-21,9%). Nos semimanufaturados, houve retração, principalmente, de açúcar em bruto (-37,9%), couros e peles (-30,8%) e semimanufaturados de ferro e aço (-22,2%).

Pelo lado das importações, decresceram as importações de combustíveis e lubrificantes (-61,9%), bens de capital (-27,4%), matérias-primas e intermediários (-26%) e bens de consumo (-23,4%).


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