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Balança comercial tem superávit de US$ 23,6 bi no 1º semestre, o maior em 27 anos

Em junho, as exportações superaram as importações em quase US$ 4 bilhões, ajudadas pela recessão e alta do dólar

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2016 | 15h28

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial recorde no primeiro semestre, de US$ 23,6 bilhões, o melhor da série histórica, iniciada em 1989. As exportações somaram US$ 90,2 bilhões no período e as importações totalizaram US$ 66,6 bilhões. 

Esse desempenho é explicado, sobretudo, pelo enfraquecimento da economia. Com o dólar muito valorizado e a economia brasileira em retração, caem as importações. Os consumidores reduzem o ímpeto por compras de produtos como eletroeletrônicos e vestuário, as indústrias adiam planos de investimento que utilizariam equipamentos vindos do exterior e há redução da produção, inclusive a que depende de insumos comprados em outros países. No primeiro semestre, houve queda tanto nos preços (10,8%) quanto nas quantidades (20,1%) comercializadas. 

Já pelo lado das exportações, houve queda de 5,9% em relação ao primeiro semestre do ano passado, principalmente em razão da redução dos preços dos produtos. No período, a quantidade exportada aumentou 9,8%, mas os preços recuaram 14,8%. Mesmo com os preços mais baixos, houve recorde no volume de exportações de soja, petróleo, minério de ferro e milho no primeiro semestre. As vendas de veículos também tiveram destaque, com o envio de 272 mil unidades para Argentina, México, Colômbia, Chile, Paraguai e Uruguai.

A recente valorização do real frente ao dólar preocupa os exportadores, mas o governo ainda acredita que não haverá impacto este ano. Por isso, não pretende rever a previsão para o saldo da balança comercial, de um superávit entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões. 

Mesmo com a moeda americana próxima ao nível dos R$ 3,20, a estimativa será mantida, por enquanto, disse o diretor Departamento de Estatísticas e Apoio à Exportação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Herlon Brandão. 

“Essa oscilação do dólar acontece e não influencia os negócios no curto prazo”, afirmou Brandão. Segundo ele, boa parte dos exportadores já comercializara sua produção com um dólar mais caro. “Apenas uma mudança permanente no patamar do dólar e por um período mais longo pode influenciar a balança.”

Câmbio. No primeiro semestre deste ano, segundo ele, o câmbio médio atingiu o patamar de R$ 3,70. Além disso, o mercado, de acordo com a pesquisa Focus, ainda avalia que o dólar deve encerrar o ano em R$ 3,60. No ano passado, segundo Brandão, o câmbio médio atingiu R$ 3,34. “Nossa estimativa de superávit comercial considera um câmbio médio superior ao de 2015”, afirmou. 

Brandão destacou que o superávit no primeiro semestre, de R$ 23,6 bilhões, bateu o recorde anterior, de R$ 20,6 bilhões, verificado nos seis primeiros meses de 2007. 

O aumento das exportações de produtos industriais no mês de junho sugere que pode haver uma retomada das vendas de itens manufaturados para o exterior, na avaliação do economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão.

“O câmbio já pode começar a ter um efeito de substituição das importações e de favorecimento das exportações brasileiras no setor industrial”, comentou o economista, destacando o aumento das exportações nos setores de transporte, químicos e metalúrgicos em junho. “O efeito cambial desde 2015 e o momento econômico explicam o forte superávit.” 

Ainda assim, Leão acredita que a atividade econômica pode estar caminhando de uma estabilização. “Os indicadores pararam de piorar muito. Acredito que vamos ter um cenário em ‘L’ da atividade, ou seja, depois de cairmos muito vamos ficar estáveis durante um bom tempo antes de começar a recuperação”, avaliou. / COLABORARAM FABRÍCIO DE CASTRO E MATEUS FAGUNDES

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