Marcio Fernandes / Estadão
Marcio Fernandes / Estadão

Saldo comercial cai 8,7% em quatro meses

Freada global e economia brasileira em marcha lenta derrubam exportações e importações do País; abril tem superávit de US$ 6 bi

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 16h01
Atualizado 02 de maio de 2019 | 23h49

BRASÍLIA - Com a demanda mundial desaquecida e a economia brasileira em marcha lenta, o comércio entre o Brasil e outros países caiu em abril, com recuo tanto nas exportações quanto nas importações.

Nos primeiros quatro meses do ano, houve queda de 2% na corrente de comércio, com redução de 8,7% no saldo comercial, 2,7% nas exportações e 0,8% nas importações.

No mês de abril, as importações caíram (-1,2%) em proporção maior do que as exportações (-0,1%) e houve aumento de 2,3% no saldo comercial, com abril fechando em US$ 6,061 bilhões.

De acordo com o subsecretário de Estatísticas de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior, Herlon Brandão, a principal causa da queda nas exportações é a redução do preço de produtos da pauta brasileira, como soja, petróleo, açúcar, café e automóveis, e do menor volume de minério de ferro exportado.

No caso da soja, houve redução de 8% no preço nos primeiros quatro meses, resultado de uma combinação de menor demanda chinesa e excesso de oferta mundial. Já as vendas de minério de ferro foram afetadas pelos problemas enfrentados pela Vale que, desde a tragédia de Brumadinho, reduziu a produção. Com isso, houve uma redução de 7% no volume exportado no quadrimestre.

A crise econômica pela qual passa a Argentina também teve impacto nas vendas, principalmente de automóveis. Com isso, houve redução de 46,5% no total exportado para o país e 37,9% para o Mercosul.

Já as vendas para o Oriente Médio tiveram alta de 30,4%, mesmo depois das ameaças de boicote aos produtos brasileiros por países árabes por conta da aproximação do Brasil com Israel. “A questão comercial está apartada da política, Brasil continua exportando normalmente, principalmente carnes”, afirmou Brandão. No total, as exportações de carne bovina in natura subiram 48% em abril e 6% no quadrimestre, enquanto carne de frango cresce 36% no mês e 3,3% no ano e carne suína 51% no ano e 7,7% em abril.

Importações

Houve redução também no volume importado neste ano, com o Brasil comprando menos combustíveis e bens como automóveis. Apesar desse quadro, Brandão disse que a perspectiva é de melhora para o ano, com crescimento da importação e das exportações: “Ainda esperamos crescimento do comércio para o ano.” /COLABOROU ANDRÉ ÍTALO ROCHA

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