Tiago Queiroz/Estadão - 30/11/2017
Tiago Queiroz/Estadão - 30/11/2017

Balança comercial tem superávit recorde de US$ 10,4 bi em junho e de US$ 37,5 bi no semestre

O resultado está relacionado à forte demanda mundial por produtos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e minério de ferro, dos quais o Brasil é grande exportador

Lorenna Rodrigues , O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2021 | 16h40
Atualizado 01 de julho de 2021 | 16h45

BRASÍLIA - Com a alta internacional nos preços dos principais produtos vendidos pelo Brasil e a recuperação da economia brasileira, a balança comercial brasileira registrou superávit US$ 10,372 bilhões em junho. Trata-se do maior saldo da registrado na série histórica, que tem início em 1989.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 1º, pela Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia. Em junho de 2020, o resultado também foi positivo em US$ 6,502 bilhões.

No mês passado, a corrente de comércio (soma das exportações e importações) avançou 61,1%. As exportações somaram US$ 28,104 bilhões, uma alta de 60,8% ante junho de 2020. Já as importações chegaram a US$ 17,732 bilhões, um avanço de 61,5% na mesma comparação.

De janeiro a junho, a balança comercial acumula superávit de US$ 37,496 bilhões. O valor é 68,2%  maior do que o mesmo período do ano passado e também é o maior da série histórica. Houve um aumento de 35,8 % nas exportações e de 26,6% nas importações do período.

O bom resultado está relacionado à forte demanda mundial por commodities, ou seja, produtos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e minério de ferro - dos quais o Brasil é grande exportador.

A indústria extrativa foi o setor que registrou maior alta nas exportações no mês de junho e no primeiro semestre, quando cresceu, respectivamente, 77% e 175,8%, ajudando nos resultados recordes registrados nos dois períodos.

Em junho o setor vendeu US$ 9,162 bilhões e, nos seis primeiros meses US$ 38,129 bilhões. “A alta nas exportações da indústria extrativa é puxada pelo aumento nos preços do minério de ferro, que subiram 95,6% no primeiro semestre”, comentou o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão.

A indústria da transformação, porém, segue sendo o principal exportador, com vendas de US$ 12,696 bilhões (38,1%) em junho e US$ 65,663 bilhões (+22,6%). Já a agropecuária exportou US$ 6,116 no mês% (+24,9%) e US$ 32,278 bilhões (+28,2%) no acumulado do ano.

Recorde nas exportações

As exportações brasileiras bateram recorde no primeiro semestre, quando foram vendidos ao exterior US$ 136,7 bilhões, um aumento de 35,8%. “A variável que mais influencia nas exportações é o crescimento da economia mundial como um todo. Há um volume maior exportado e preços em alta no mercado internacional”, afirmou Brandão. “A China é o principal importador, principalmente de minério de ferro, mas observamos aumento  generalizado nos destinos de exportações”.

No período, as importações brasileiras também cresceram (26,6%). “Com expectativa de crescimento de mercado, demandamos mais insumos, matérias primas, adubos e há aquecimento de demanda por eletroeletrônicos”, completou Brandão. Ele ressaltou que as vendas de produtos brasileiros cresceu para todos os principais destinos no primeiro semestre, com aumento de 37,8% para a China, 33,2% para os Estados Unidos e 57,5% para a Argentina.

O bom desempenho das exportações fez a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) rever suas projeções para o saldo da balança comercial brasileira em 2021 para um recorde de US$ 105,3 bilhões. A previsão anterior, feita em abril, era de US$ 89,4 bilhões. Se concretizado, será a primeira vez que as exportações superarão as importações em mais de US$ 100 bilhões.

Também foi aumentada a previsão para a corrente de comércio (soma de exportações e importações) para US$ 509,7 bilhões, ante US$ 443,8 bilhões anteriormente. O dado, se realizado, também será o maior da história e uma corrente anual acima de US$ 500 bilhões pela primeira vez.

A expectativa para as exportações subiu de 266,6 bilhões para US$ 307,5 bilhões – outro recorde histórico – e das importações de 177,2 bilhões para 202,2 bilhões. O subsecretário da Economia, Herlon Brandão, ressaltou que as projeções são feitas considerando o cenário atual. “Ainda há incertezas políticas e riscos financeiros, como medidas de restrição de liquidez, ponderou.

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