Balança: déficit de US$ 466 mi em novembro

A alguns dias do fim de novembro, a balança comercial brasileira já acumula um saldo negativo de US$ 466 milhões no mês e de US$ 310 milhões no ano. Segundo as informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, somente na quarta semana de novembro, o déficit já totalizou US$ 204 milhões. A situação deficitária é resultado do aumento dos gastos com as compras de combustíveis e lubrificantes, decorrente da elevação dos preços internacionais do petróleo. Além disso, o saldo negativo das contas externas do País é elevado pelo aumento das importações de produtos eletroeletrônicos, siderúrgicos, veículos e de adubos e fertilizantes. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) , as importações acumuladas nas quatro semanas já apresentam um crescimento de 10,5% sobre novembro do ano passado, enquanto que as vendas de manufaturados cresceram apenas 7,3% na comparação do mesmo período. Em meses mais favoráveis, esse crescimento chegou a ser de 20%.Medidas de incentivo não terão reflexos imediatos O resultado divulgado ontem pela Secex é mais um indicativo de que o cenário do comércio exterior brasileiro em 2001 não é dos mais confortáveis. Segundo Castro, da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), a continuidade de um crescimento em torno de 4% projetado para a economia vai exigir um grande volume de importações. O efeito das medidas de apoio às exportações anunciadas durante o último Encontro Nacional de Exportadores (Enaex) também não têm efeitos imediatos. Ele calcula que o prazo mínimo para que decisões como o ressarcimento do PIS e Cofins e isenção do Imposto de Renda para remessas destinadas à promoção comercial tenham algum efeito é de seis meses a partir da sua adoção.Balança deficitária é risco para saldar contasOs piores resultados apresentados pela balança comercial refletem diretamente no balanço de pagamentos do Brasil. Atingindo cada vez mais níveis inferiores de captação de recursos por meio do comércio exterior, o País se vê obrigado a buscar alternativa para a captação de dólares que serão destinados a financiar as contas do governo. Nessa situação, o governo tem que compensar a perda da balança comercial através de um melhor desempenho da balança de serviços. É aí que se concentram os investimentos diretos no País, além da entrada de recursos através do mercado financeiro. A primeira opção, diante das incertezas externas (crise argentina, preço do petróleo e economia norte-americana), é a menos provável na perspectiva dos investidores. Isso porque, numa eventual crise econômica, os investimentos que tiverem maior flexibilidade de migração são mais sacados do mercado de capitais. Nesse cenário, o País fica cada vez mais dependente dos investidores estrangeiros e cada vez mais vulnerável ao cenário internacional.

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