Balança deve ter superávit de US$ 800 milhões em julho

A balança comercial deve encerrar julho com um superávit de US$ 800 milhões, disse hoje o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Guilherme Reis, em entrevista à Agência Estado. Segundo ele, a greve dos fiscais da Receita Federal reteve um volume de exportações maior do que o inicialmente estimado. Os embarques de soja e minério de ferro estão contribuindo para o resultado positivo. "Os números da balança são muito favoráveis. Têm o efeito do represamento, mas também o impacto de menos atividade econômica e mais câmbio real. E o embarque da soja está pintando forte", disse.O secretário-adjunto de Política Econômica, Roberto Iglesias, informou que a greve reteve grandes volumes de soja para exportação, principalmente nos portos do Sul do País, no final de junho. Agora, com a greve parcialmente suspensa, os embarques deslancharam. A partir desses fatores, José Guilherme espera "um saldo robusto" na balança comercial em julho. "Se der US$ 800 milhões em junho, número que estamos cogitando, estaremos em US$ 6 bilhões em 12 meses", comentou. ProjeçãoEle ressaltou que o desempenho dos primeiros dias de julho não são necessariamente uma tendência. Mesmo assim, o governo mantém sua projeção de um saldo de US$ 5 bilhões para o período de janeiro a dezembro de 2002. "Mas agora já achamos que esse número é conservador. Essa projeção já foi justa, virou otimista e agora está conservadora. O saldo deve ficar entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. Mais que isso eu não arriscaria, até porque as incertezas no mercado internacional são suficientemente grandes para tornarem qualquer analista minimamente desconfiado do que pode acontecer", disse. Reis acredita que o desempenho da balança comercial até o momento é positivo, levando-se em conta o choque da perda do mercado argentino. "O exportador procurou outros mercados", afirmou. Ele avaliou que a melhora no desempenho da balança comercial é um fator favorável importante nesse momento adverso da conjuntura brasileira e internacional, com a elevação do risco-país, dificuldades de rolagem da dívida, pressão no dólar e aversão ao risco por parte dos investidores internacionais.TetoApesar das apostas contrárias do mercado financeiro, Reis avalia que a inflação em 2002 não ultrapassará o teto da meta de inflação de 5,5% medida pelo IPCA. Na última pesquisa do Banco Central, os analistas do mercado projetavam uma inflação de 5,72% para o IPCA deste ano. O secretário considerou muito "favoráveis" os números mais recentes de inflação de 0,42% do IPCA de junho e de 0,23% do IPC da Fipe, na primeira quadrissemana de julho. "Os números são muito bons. Os dois índices vieram abaixo da expectativa de mercado, que projetava um IPCA acima de 0,5% e veio 0,42% e um o IPC-Fipe acima de 0,30% e tivemos 0,23%.", disse Reis. Na sua avaliação, a pressão dos chamados preços livres está "sob controle" e com comportamento favorável para a inflação. Tem ajudado a inflação a perda de fôlego da recuperação da atividade econômica, que funciona na prática como uma barreira para o repasse da alta do dólar aos preços. "Essa queda, do ponto de vista de inflação, diminui o potencial de passagem da alta da taxa de câmbio para os preços", afirmou. PetróleoSegundo o secretário, os preços administrados, que foram o principal foco de pressão inflacionária neste ano, voltarão a subir em julho. "Vamos ter uma concentração de reajustes de preços administrados. Isso é inevitável. Já está contratada. Está dado", enfatizou. Estão previstos aumentos para as tarifas de telefonia, para as companhias elétricas de São Paulo (que têm peso forte nos índices), além dos derivados de petróleo, recentemente reajustados pela Petrobrás. Ele explicou que os preços do petróleo determinarão o comportamento da inflação até o final do ano. "É um elemento decisivo. Faz toda a diferença", avaliou. Reis ressaltou que, no início do ano, o governo trabalhava com uma expectativa de preço bem mais baixo do petróleo no mercado internacional. "A partir de março, a cotação começou a subir, problema que foi agravado com a alta da taxa de câmbio, depois de maio", afirmou. Ele não se arriscou a traçar um cenário para o comportamento do mercado de petróleo até o final do ano. "Vai depender da Opep aumentar a produção ou não, da velocidade de recuperação da economia americana", disse. "O quadro agora é negativo, porque combina uma economia mundial que não está se recuperando na intensidade esperada e preços altos para o petróleo." Reis comentou que a aparente contradição se explica pelo controle do mercado de petróleo por um cartel. Além disse, lembrou, continua latente o risco de um conflito no Oriente Médio, o que também contribui para a alta do petróleo. O secretário também não arriscou nenhuma projeção sobre o câmbio. "É flutuante", limitou-se a dizer.

Agencia Estado,

12 de julho de 2002 | 15h38

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