Balança e remessa explicam déficit menor, avalia BC

O déficit menor do que as projeções do Banco Central (BC) para as transações correntes em outubro se deve a um saldo mais robusto do que o previsto da balança comercial e a um volume menor de remessas líquidas de lucros e dividendos no período, segundo explicou hoje o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha. A autoridade monetária contava com um déficit de US$ 4,8 bilhões em outubro e o resultado efetivo foi de US$ 3,109 bilhões.

CÉLIA FROUFE E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

22 de novembro de 2011 | 11h37

"A balança, nos últimos seis dias de outubro, concentrou aproximadamente 80% do superávit do mês", disse Rocha, acrescentando que o saldo do período foi de cerca de US$ 1,7 bilhão. "Além disso, as remessas de lucros apresentaram desempenho menor, sem a aceleração que costuma ocorrer todo final de mês", continuou. Ele salientou que, desde maio, o déficit em conta corrente tem crescido menos.

Mais cedo, o BC divulgou que o Brasil teve em outubro déficit de US$ 3,109 bilhões nas contas correntes. No mês, a balança comercial registrou superávit de US$ 2,355 bilhões, enquanto a conta de serviços revelou um déficit de US$ 3,418 bilhões, e a de rendas ficou negativa em US$ 2,302 bilhões. As transferências unilaterais registraram um saldo líquido de US$ 256 milhões.

Fernando Rocha acrescentou que o déficit em conta corrente acumulado em 12 meses vem apresentando moderação no crescimento em relação ao mesmo período do ano passado. "O déficit em conta corrente em 12 meses permaneceu decrescente. Chegou a US$ 47,4 bilhões, o que equivale a 2% do PIB em 12 meses".

De acordo com Rocha, o saldo negativo mantém-se financiado pelo Investimento Estrangeiro Direto (IED). "Os fluxos de IED em outubro, de US$ 5,6 bilhões, foram também melhores do que previstos pelo Banco Central", considerou, lembrando que a autoridade monetária contava com um saldo de US$ 4 bilhões para o período.

A razão principal da diferença entre a expectativa e o resultado efetivo foi, segundo Rocha, a estimativa de um desinvestimento, que acabou não ocorrendo naquele mês, mas que deve ser realizado nos próximos meses. Ele não quis comentar sobre a empresa ou o setor que estaria por trás dessa operação.

Rocha ainda estimou que o IED deve fechar o mês de novembro em US$ 4 bilhões. "Em novembro, temos valor acumulado no mês, até o dia 22, de US$ 2,8 bilhões", informou. Se a projeção do BC estiver correta, conforme Rocha, haverá aumento em relação ao mesmo mês do ano passado, pois em novembro de 2010 o saldo foi de UD$ 2,7 bilhões.

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