Balança pode ter déficit em julho com fim da greve dos fiscais

A balança comercial registrou um superávit de US$ 487 milhões nos dois primeiros dias desta semana, informou nesta quarta-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral. Com isso, o saldo acumulado do ano soma US$ 3,149 bilhões. O ministro disse que o desempenho da balança na segunda e terça-feira reflete a atenuação da greve dos fiscais da Receita Federal e a decisão de alguns exportadores, que estavam segurando suas vendas em função do câmbio e agora decidiram finalizar as exportações.Amaral ressaltou que esses dois dias não podem ser considerados uma tendência. Segundo dados do ministro, as exportações na segunda-feira foram de US$ 591 milhões e as importações, US$ 243 milhões. Na terça-feira, as exportações totalizaram US$ 313 milhões e as importações, US$ 174 milhões.O risco de considerar esses números como uma tendência é o fato de a greve ter prejudicado mais as importações do que as exportações, porque as primeiras são mais sujeitas a fiscalização. A Secretaria de Política Econômica (SPE) estima que a greve tenha provocado um "represamento" da ordem de US$ 800 milhões nas importações e de cerca de US$ 250 milhões nas exportações. Há, portanto, um déficit próximo a US$ 550 milhões não contabilizado no saldo da balança. Com a greve parcialmente suspensa, essas transações serão registradas, mas não necessariamente todas neste mês. Se todo o déficit for registrado em julho, a balança comercial poderá registrar resultado equilibrado, ou mesmo um pequeno déficit, não superior a US$ 100 milhões. Isso porque, sem contar as importações e exportações retidas, o saldo do mês seria um superávit em torno de US$ 500 milhões.Segundo o secretário, o superávit de US$ 675 milhões registrado na balança comercial no mês de junho ficou distorcido principalmente pelo volume baixo de importações. Além disso, o movimento grevista foi mais forte em portos por onde ingressam grandes volumes de importação. "As importações vão vir fortes em junho, mas o importante é olhar as exportações", disse Iglesias. "É o dado relevante para o futuro." Mesmo admitindo o risco de haver um déficit em julho, o governo mantém a projeção de um superávit de US$ 5 bilhões para o acumulado deste ano."O câmbio está operando a favor das exportações", disse Iglesias. A alta do dólar teria estimulado o início dos embarques de soja, apesar de a cotação do produto no mercado internacional estar baixa. Outro fator que joga a favor da balança comercial é a atividade econômica brasileira, que no segundo semestre de 2002 ficará "bem abaixo" do que se projetava no início do ano. Com a produção num ritmo mais lento, as importações de insumos, bens intermediários e bens de capital também serão menores do que o projetado, o que favorece o saldo positivo no comércio exterior. "O segundo semestre será bom para a balança comercial", assegurou Iglesias. "Chegaremos aos US$ 5 bilhões com tranqüilidade."

Agencia Estado,

10 de julho de 2002 | 18h21

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