Balança tem pior resultado desde 2002 e Mantega vê fragilidade

Uma recessão nos Estados Unidos significa consumo menor e, com isso, queda no preço das commodities

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

21 de janeiro de 2008 | 16h53

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não comentou o péssimo resultado da balança comercial brasileira registrado na terceira semana de janeiro. Contudo, reconheceu que o resultado comercial do País é a ponta da economia que poderá ser influenciado pela atual situação norte-americana.   Veja também:  Com a crise nos EUA, mercado já fala em alta de juros em 2008  Real foi moeda que menos se desvalorizou após a crise  A ordem para investidores é manter sangue-frio   O superávit comercial brasileiro despencou para US$ 1 milhão na terceira semana de janeiro, contra US$ 325 milhões na semana anterior. Foi o pior resultado semanal desde a terceira semana de maio de 2002, quando o país teve déficit comercial de US$ 35 milhões.   "Se houver alguma retração internacional, o que não está confirmada, caso isso ocorra, poderemos ter uma queda nos preços das commodities brasileiras e, portanto, uma queda no nosso saldo da balança comercial", disse.   O fato é que o preço das commodities - produtos com cotações definidas no mercado internacional - é dado pelas leis de mercado. Ou seja, oferta e procura. Uma recessão nos Estados Unidos significa consumo menor e, com isso, demanda menor. Neste cenário, o preço das commodities tende a cair, afetando a balança comercial de todos os países que exportam para os Estados Unidos.   Ele insistiu, no entanto, na avaliação do governo de que o saldo da balança comercial continuará bastante positivo. Não é possível, segundo ele, tomar um dia com o todo, porque não é representativo. "Hoje é um dia de quase pânico, eu diria, porque as bolsas caíram muito no mundo todo e isso traz um contágio: uma cai e faz cair a outra, mas isso não quer dizer que amanhã será assim ou depois de amanhã.   O ministro disse que as autoridades americanas deverão tomar medidas no sentido de acalmar os mercados para tentar reverter este quadro. Ele destacou ainda que o País tem uma solidez econômica que está sendo confirmada freqüentemente. Ele citou matéria recente da revista The Economist que afirma que o Brasil está sólido e preparado para enfrentar uma turbulência internacional.   Nervosismo nos mercados   Ele afirmou que a economia brasileira nunca esteve tão preparada para enfrentar uma crise internacional. Segundo ele, a economia está sólida e, por enquanto, no Brasil, não há necessidade de o governo tomar alguma medida "por enquanto".   "É como se nos últimos quatro, cinco anos nós estivéssemos nos preparando para enfrentar alguma turbulência externa de modo que esta turbulência possa não nos atingir ou nos atinja com pouco resultado", disse na portaria do Ministério da Fazenda.   Com um discurso otimista, Mantega afirmou que a economia brasileira continua dando sinais e de vitalidade, com os investimento crescendo e a demanda aquecida, mesmo sendo mês de janeiro, sazonalmente mais fraco. "É possível que o Brasil consiga passar por esta crise sem maiores conseqüências".

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