WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Balanço da Petrobrás pode não ficar pronto em janeiro, afirma Graça Foster

Após denúncias da Operação Lava Jato, estatal trabalha para tirar efeito da corrupção nos valores dos ativos da empresa

Fernanda Nunes e Antonio Pita, Agência Estado

17 Dezembro 2014 | 12h35


A presidente da Petrobrás, Graça Foster, afirmou que "não há segurança" de que informações do resultado financeiro serão divulgadas "em sua plenitude" nos próximos 45 dias. Esse é o prazo para a divulgação do balanço do terceiro trimestre deste ano, sem ter que antecipar o pagamento de dívidas. A publicação do balanço não auditado está previsto para 30 de janeiro.

"Estamos trabalhando para fazer avaliação do real valor do ativo. A gente chama de efeito da Operação Lava Jato, um nome menos feio. O nome correto é corrupção", afirmou Graça.

A preocupação da empresa é que o patrimônio da empresa seja revisto à medida que novas delações à Polícia Federal deem a dimensão do volume de recursos desviados.

Apesar de admitir que a empresa passa por um momento de dificuldade, Graça garante que a empresa não tem problema de caixa para dar conta dos investimentos. "Não vamos ter problema de financiabilidade. Não batemos na porta do governo para pedir dinheiro".

Sobre a cobrança de uma dívida de R$ 9 bilhões da Eletrobras, pelo fornecimento de combustível para a geração térmica, a presidente afirmou mais de uma vez que a cobrança não está ligada à dificuldade de caixa da petroleira. "É dívida, tem que pagar", disse.

Posicionamento. Graça Foster também cobrou do governo federal um "posicionamento urgente" sobre a situação das empresas envolvidas nas investigações da Operação Lava Jato. Segundo ela, comprovadas as denúncias de corrupção, a estatal ficaria proibida de contratar as empresas que atuam nos principais estaleiros do País na construção de embarcações e plataformas para a Petrobras, o que poderia comprometer a produção da companhia.

Petróleo. Projetos no pré-sal continuam rentáveis para a Petrobrás, mesmo diante da desvalorização do petróleo no mercado internacional, afirmou o diretor de Exploração e Produção da companhia, José Formigli. Segundo ele, o cronograma dos projetos estão mantidos e há o interesse de todos os sócios de dar continuidade ao trabalho. "A margem no pré-sal diminuiu, mas continua positiva", afirmou.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, enumerou três fatores que hoje influenciam o valor de mercado da empresa. Dois deles não são passíveis de controle: a desvalorização do petróleo e do real, comparado ao dólar. Além desses dois fatores, há ainda a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga possíveis casos de corrupção na empresa.

"Só tem uma coisa que hoje me motiva mais do que a curva de produção, que é acabar com o descrédito da companhia", afirmou Graça.

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