Balanço de fim de ano da dívida pública federal

O balanço da dívida pública federal (DPF), divulgado pelo Tesouro Nacional na terça-feira, mostrou aumento, em novembro, sobre outubro, de 2,49%, equivalente a R$ 53 bilhões, que levou o total à casa dos R$ 2,2 trilhões.

O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2014 | 03h41

É muito ou é pouco?

A avaliação exige saber, mais do que o tamanho da DPF, a sua qualidade e os fatores que a compõem.

Em resumo: a parcela a vencer em 12 meses se manteve em 24,16%, o que é neutro (nem positivo nem negativo); a parcela pré-fixada subiu para 40,84%, aspecto positivo, pois assegura melhor administração, com menos variações para o futuro próximo; o custo médio em 12 meses aumentou para 11,64% ao ano, fator negativo; o prazo médio caiu para 4,51 anos - ficou mais apertada, fator negativo; a parcela atrelada ao câmbio subiu para 4,87%, elevando o grau de incerteza; a parcela corrigida pela Selic caiu para 18,92%, o que seria melhor se a Selic estivesse caindo, o que não é o caso; já a parcela corrigida pela inflação caiu para 35,38%, o que depende das expectativas para a inflação, que do ponto de vista do mercado financeiro parecem melhores do que do ponto de vista dos consumidores, segundo pesquisa FGV-IBGE. Mas estes podem sofrer influência do fim de ano sobre os preços, que desde outubro os inquieta.

A queda da participação de estrangeiros na DPF alivia, pelo menos teoricamente, o pagamento de juros para o exterior e se deveu a mais compras por outros detentores, como as instituições financeiras, que elevaram sua participação de 26,34% para 27,26%. Já as seguradoras aumentaram sua participação, enquanto a de fundos de investimentos se reduzia.

A emissão líquida da DPF foi "significativa" em novembro e se repetiu em dezembro, segundo o coordenador, Fernando Garrido, no valor de R$ 29,65 bilhões, maior do que nos outros meses do ano. Ele considera, no entanto, que já foram encerrados os leilões em dezembro e que, assim, as emissões (ao longo do ano, supõe-se) foram "satisfatórias".

Garrido espera também que, em dezembro, "todos os indicadores fiquem dentro do Plano Anual de Financiamento (PAF), incluindo a composição dos títulos por indicador". No mês passado, segundo ele, todas as categorias de títulos estavam enquadradas no PAF.

Em janeiro, será lançado um novo título de longo prazo: a NTN-B, com vencimento em 2055, um pleito das instituições de previdência, por prazo maior que o atual (2050).

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